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	<title>Now Loading - Arte e indústria dos videojogos &#187; portugal</title>
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		<title>Entrevista a Tommy Tallarico, autor do Video Games Live</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 11:45:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A indústria dos videojogos vive dias de exaltação, embalados pela descoberta constante e criatividade florescente. A indústria musical não vive os melhores dias, por conservadorismo incurável e apego às ideias de ontem. Contudo, os dois meios escolheram uma política de não agressão, potenciando aventuras conjuntas e projectos rejuvenescedores. Além dos temas clássicos, tocantes e memoráveis, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1351" title="tallarico_banner" src="http://nowloading.biz/wp-content/uploads/2009/09/tallarico_banner.jpg" alt="tallarico_banner" width="600" height="340" /></p>
<p>A indústria dos videojogos vive dias de exaltação, embalados pela descoberta constante e criatividade florescente. A indústria musical não vive os melhores dias, por conservadorismo incurável e apego às ideias de ontem. Contudo, os dois meios escolheram uma política de não agressão, potenciando aventuras conjuntas e projectos rejuvenescedores. Além dos temas clássicos, tocantes e memoráveis, pensados exclusivamente para a interactividade digital, os videojogos têm servido de bengala confortável para as mais reputadas entidades em cena. <a href="http://tallarico.com/" target="_blank">Tommy Tallarico</a>, compositor de videojogos com duas décadas de experiência na bagagem, imaginou um éden criativo onde arte digital e sonora emocionam milhões. O espectáculo <a href="http://www.videogameslivept.com/vgl/cms/" target="_blank">Video Games Live</a> propõe um festim audiovisual, uma celebração de duas formas de entretenimento, arte e paixão. Ora, para comemorar o regresso do evento a Portugal, o concerto terá lugar no Campo Pequeno, no dia 27 de Novembro, conversei com o co-autor e apresentador do Video Games Live. Tommy Tallarico discute o futuro das da indústria, distribuição digital, a parceria entre a música e os videojogos, e ainda recusou um pedido de casamento. Heresia!</p>
<p><span id="more-1350"></span></p>
<p><strong>Daniel Costa: </strong>Olá Tommy! Viajas pelo mundo, com a equipa do Video Games Live, para tocar os melhores temas musicais de videojogos. Antes desta aventura, trabalhaste em centenas de títulos. O que despertou a tua vontade de arrumar as malas e correr o mundo?</p>
<p><strong>Tommy Tallarico:</strong> Sou um compositor de videojogos há quase 20 anos, e o meu parceiro no Video Games Live, <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jack_Wall_%28composer%29" target="_blank">Jack Wall</a>, tem feito o mesmo nos últimos 13 anos. O meu objectivo com o Video Games Live era provar ao mundo a importância cultural e artística dos videojogos. Não quis programar um concentro sinfónico apenas para jogadores mais maduros; preferi criar um espectáculo. Não queria necessariamente um concerto, mas uma celebração completa da indústria dos videojogos, por isso concebemos um espectáculo para todos.<br />
Para descrever o Video Games Live rapidamente: Uma orquestra sinfónica e um coro tocam a melhor música de videojogos de sempre. Mas o que torna tudo tão único é a sincronização da música com imagens num ecrã gigante, os efeitos de luz semelhantes a um concerto de rock n’ roll, a produção no palco, efeitos especiais e elementos de interactividade com o público. O poder e emoção duma orquestra sinfónica combinam-se com a energia e excitação dum concerto de rock misturado com a interactividade, apresentação visual espantosa, tecnologia e divertimento proporcionados pelos videojogos.</p>
<p><span class="youtube">
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</span><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=sHcRkWzqNCc">www.youtube.com/watch?v=sHcRkWzqNCc</a></p></p>
<p><strong>Daniel Costa:</strong> Estava entre as primeiras filas no Campo Pequeno, aquando a última passagem do Video Games Live por Lisboa, em 2008. No final do espectáculo, tive uma epifania. Depois de assistir a uma celebração de música e arte, oferecida por indivíduos apaixonados como tu e o Sr. Jack Wall, estabeleci uma ligação emocional com qualquer obra ou compositor tributado no evento. Admitindo que o grande público reage com mais facilidade a artistas “reais” que a personagens digitais, pensas que este tipo de interacção Humana pode ser vital para o futuro da indústria?</p>
<p><strong>Tommy Tallarico:</strong> Acredito que isso é uma combinação de muitas coisas -- das pessoas, do aspecto visual, das personagens e do jogo, claro. Muitas pessoas ficam emocionalmente ligadas a certos jogos e sistemas. No que diz respeito às memórias que as pessoas têm, há uma magia especial que vês durante as actuações. Quando as pessoas ouvem e vêm alguns segmentos são devolvidas à infância e a épocas mais inocentes. Por causa disso, as pessoas dizem-nos que se emocionam e choram durante o espectáculo.</p>
<p><strong>Daniel Costa:</strong> Estás envolvido na produção de conteúdo musical para videojogos – já trabalhaste em títulos como Metroid Prime e a série Unreal. Esses projectos são apoiados por empresas financeiramente viáveis, e contam com orçamentos generosos. Recentemente, a indústria assistiu à expansão da distribuição digital, que possibilitou uma direcção criativa mais democrática para os estúdios independentes. Além dos eventuais méritos conceptuais dessas obras, pensas que este fenómeno pode iniciar uma nova geração de talento musical?</p>
<p><strong>Tommy Tallarico:</strong> Sim, absolutamente. E não apenas compositores de videojogos, mas também <em>designers</em> de videojogos, geralmente. Isso lembra-me dos meus primeiros passos na indústria, há 20 anos. Um jogo poderia ser criado por pequenas equipas independentes e nasciam muitas ideias e <em>designs</em> novos. Com coisas como o iPhone, consolas portáteis, conteúdo digital, Xbox Live Arcade, etc., assistes ao renascimento dos estúdios independentes e tens a oportunidade de conhecer o talento de novas pessoas.</p>
<p><strong>Daniel Costa:</strong> Alguns retalhistas relevantes parecem adoptar uma política anti-Darwin, relativamente à distribuição digital, recusando a distribuição de produtos como a PSPGo. Qual a tua opinião sobre o limbo contínuo entre distribuição física e digital? Que método poderá beneficiar consumidores e equipas de desenvolvimento?</p>
<p><strong>Tommy Tallarico:</strong> Os retalhistas estão assustados… e devem estar. A distribuição digital está ao virar da esquina e irá mudar radicalmente a face da nossa indústria, positivamente. Considera isto… e se tivesses que ir a uma loja sempre que quisesses comprar uma nova aplicação para o teu iPhone ou telemóvel? No fim, não terias tantas aplicações nem poderias aplicar actualizações, testar o produto antes de comprar, etc. A distribuição digital é, definitivamente, o futuro da nossa indústria. Os retalhistas têm de encontrar uma forma criativa de continuar a levar pessoas até às lojas, se quiserem sobreviver. Penso que isso é possível, mas terão que ser criativos. Competições nas lojas? Ofertas de prémios? Encontros com <em>designers</em>? Não é impossível, mas terão que mudar o seu pensamento para continuar no barco.</p>
<p><strong>Daniel Costa:</strong> O Sr. Robert Kotick, CEO da Activision Blizzard, tem motivado alguma controvérsia e discussão entre os principais actores da nossa indústria, relativamente ao preço base dum disco. Acrescentar $10 ao preço de retalho dum jogo, e pedir $150 pela Prestige Edition de Call of Duty: Modern Warfare 2 não será uma decisão muito popular. Acreditas que as pessoas estão preparadas para pagar tanto por um jogo? Pensas que esta situação poderá testar, de forma egoísta, um novo valor definitivo para os discos vendidos a retalho?</p>
<p><strong>Tommy Tallarico:</strong> Penso que algumas pessoas estão dispostas a pagar mais para ter uma experiência <em>VIP</em>, ou por conteúdo extra, especialmente se forem <em>hardcore</em>. Não vejo nada de errado nisso. O mesmo pode ser dito sobre a indústria dos concertos. Algumas pessoas querem os lugares <em>VIP</em> de $100, outras pagam $20.<br />
As pessoas costumam comparar a indústria dos videojogos à indústria do cinema. Uma das maiores diferenças entre jogos e filmes é que por $12, por pessoa, podes assistir a um filme de 2 horas. Portanto, depois de teres pago por ti e pelo teu acompanhante (Deus te livre de levares a família toda) e teres comprado as pipocas e bebidas, provavelmente pagarás cerca de $40 pela noite e recebes 2 horas de entretenimento. Agora, compara isso a um jogo que custe entre $50 e 60$ e que te oferece entre 80 e 100 horas de entretenimento. Os videojogos são um negócio arriscado, e a alteração da tecnologia dificulta a modernização de várias entidades. Algumas empresas têm abandonado o negócio e fechado lojas, portanto não considero que o preço dos jogos seja totalmente injusto, neste momento. Além disso, considera que mais de 30% de todos os videojogos no mundo estão no mercado negro, e basicamente são furtados.<br />
Espero que, quando a distribuição digital assumir o controlo, e os agentes médios (retalhistas, distribuidores) forem eliminados, o preço dos jogos baixe para o consumidor, enquanto a editora da obra consiga lucros que sustentem a empresa, garantam sucesso e dinheiro para desenvolvimento futuro e tecnologia.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1575" title="tommy_entrevista01" src="http://nowloading.biz/wp-content/uploads/2009/11/tommy_entrevista01.jpg" alt="tommy_entrevista01" width="600" height="412" /></p>
<p><strong>Daniel Costa:</strong> Nos últimos anos, as editoras focam esforços no género de simulação musical. Séries bem cotadas, como Rock Band, Guitar Hero e SingStar, parecem actuar como uma estratégia de <em>marketing</em> para um grande número de bandas <em>mainstream</em>.  Marcas apelativas, como Metallica, Aerosmith e The Beatles estão a gerar muito dinheiro com guitarras de plástico e baterias toscas. Como classificas estes jogos? Pensas que a relação entre a indústria dos videojogos e a indústria musical está destinada a ser saudável?</p>
<p><strong>Tommy Tallarico:</strong> Esses jogos representam algo absolutamente positivo, e o aumento incrível das vendas de instrumentos musicais, especialmente guitarras, no último par de anos, é a prova disso. Centenas de pessoas abordam-me após o nosso espectáculo e dizem que, por causa de Guitar Hero ou Rock Band, compraram uma guitarra ou baixo reais, para começar a aprender as músicas a sério. O Video Games Live também tem esse efeito nas pessoas! Recebemos TONELADAS de e-mails e cartas, depois de cada actuação, de pais que dizem que o filho ou filha foi a um dos nossos espectáculos e, no dia seguinte, queria ter aulas de violino, porque queria aprender a tocar os temas de Halo, Final Fantasy, Kingdom Hearts, entre outros. A música é algo muito poderoso… e os videojogos também. Juntos, podem ter um impacto cultural na vida de milhões de pessoas em todo o mundo.<br />
Contudo, penso que ainda há espaço para expandir este género. Ainda precisamos de Led Zepplin, Pink Floyd, etc., mas a indústria precisa de ter cuidado para não gastar totalmente um género de música. Vamos expandir isto além do rock ‘n roll. Vês algumas empresas a iniciar esse caminho, com jogos como DJ Hero. Mas vamos fazer Piano Hero também! Vamos acrescentar géneros musicais como blues, música clássica e jazz à mistura! Vamos convencer uma geração de pessoas, que podem não ter qualquer ligação aos videojogos, a pegar num comando. Sei que se existisse um jogo de rock dos anos 50, ou algo do Elvis Presley, a minha mãe e o meu pai seriam os primeiros na fila para jogar! Com a Wii, a Nintendo provou que quem não é um jogador <em>hardcore</em> também está disposto a jogar. Também devemos ter essa mentalidade para jogos musicais. Devemos expandir a ideia para música clássica ou outros instrumentos, como violino, teclas, etc. Penso que existem muitas pessoas interessadas nessa experiência, se estiveres lá para responder às suas necessidades e gostos.</p>
<p>Penso que o futuro da música e dos jogos vai crescer, ser mais brilhante, melhor e muito mais interessante durante a próxima década. Vai ser divertido participar nessa viagem louca. Segura-te bem! <em>(risos)</em></p>
<p><strong>Daniel Costa:</strong> A próxima pergunta será um pouco injusta, e cliché, mas tem que ser feita de qualquer forma – que compositores te inspiraram para trabalhar nesta indústria, e porquê?</p>
<p><strong>Tommy Tallarico:</strong> O meu compositor favorito de sempre é Beethoven. A música de John Williams também foi outra grande influência, mas terei que responder Beethoven e, claro, Steven Tyler – vê-lo no palco e pensar “se ele consegue fazer aquilo, tu também consegues!”. Uma combinação engraçada: Steven Tyler, John Williams e Beethoven.</p>
<p><strong>Daniel Costa:</strong> Ok Tommy! Vamos fechar a nossa conversa com chave de ouro. O Video Games Live está de volta a Lisboa (dia 27 de Novembro no Campo Pequeno). Óptimo! Mas ainda estou no escuro em relação a novos segmentos do espectáculo. Podes subir ligeiramente o véu? Se me disseres que tocarão temas de Panzer Dragoon e Braid peço-te já em casamento! Hum…</p>
<p><strong>Tommy Tallarico:</strong> Bem, nesse caso, NÃO tocaremos Panzer Dragoon e Braid, definitivamente. <em>(risos)</em><br />
Ouvi muitas sugestões de pessoas que nos visitaram durante o <em>meet &amp; greet</em> do ano passado, e anotei muitas ideias. Não quero confessar todas as surpresas, mas as pessoas poderão ver e ouvir jogos como Chrono Trigger/Chrono Cross, Mega Man, Shadow of the Colossus, entre outros. Este ano, também incorporámos 3 ecrãs e câmaras <em>HD</em>, para que os segmentos que as pessoas possam ter visto anteriormente ganhem uma apresentação mais espectacular.</p>
<p><strong>Actualização (25/11/2009):</strong> Depois desta entrevista, a Mandrake (entidade responsável pelo evento em Portugal) adiou o Video Games Live para 2010. Mais informação na <a href="http://www.videogameslivept.com/vgl/cms/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=20:video-games-live-adiado-para-2010&amp;catid=1:noticias-recentes&amp;Itemid=18" target="_blank">página oficial</a> do espectáculo.</p>
<p><a href="http://translate.google.com/translate?prev=hp&amp;hl=en&amp;js=y&amp;u=http%3A%2F%2Fnowloading.biz%2F2009%2F11%2F05%2Fentrevista-a-tommy-tallarico-autor-do-video-games-live%2F&amp;sl=pt&amp;tl=en&amp;history_state0=" target="_self"><strong>Read this article in English. </strong></a><strong>(Powered by <em>Google Translate</em>)</strong></p>
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		<title>Violência, escárnio e maldizer.</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 15:54:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou triste. Como jogador, e peão escondido numa indústria que praticamente não existe, só posso ficar boquiaberto com o recorrente desrespeito (e ignorância na matéria) demonstrado pelos meios de comunicação social; pelos mais sensacionalistas e apoiantes do conservadorismo típico em Portugal. O tema da moda, desculpa oportunista para os males da terra, é a violência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://i.i.com.com/cnwk.1d/i/bto/20080429/GTAIV.png" alt="" width="600" height="286" /></p>
<p>Estou triste. Como jogador, e peão escondido numa indústria que praticamente não existe, só posso ficar boquiaberto com o recorrente desrespeito (e ignorância na matéria) demonstrado pelos meios de comunicação social; pelos mais sensacionalistas e apoiantes do conservadorismo típico em Portugal. O tema da moda, desculpa oportunista para os males da terra, é a violência em excesso nos títulos mais vendidos e populares. Perdão; em Grand Theft Auto IV. O jogo da Rockstar ocupa páginas e páginas em publicações nacionais, como se fosse símbolo completo da ideia, do reconhecido ‘mundo dos videojogos’. Mas não posso ficar muito surpreendido. Aliás, para além da marca Playstation e meia dúzia de séries que conservam um monopólio no nosso mercado – leia-se futebol e corridas com fartura – a imprensa generalista obriga os <em>zombies</em> deste cantinho a olharem para os próprios pés; sem direito a consumir cultura digital, que não a tradicional apoiada pelo nosso conservadorismo quase histórico. Tudo muito normal, muito enfadonho e cinzento neste pontinho da Europa…<br />
Mas queixas à parte, apenas volto a este assunto, tão aborrecido e ultrapassado, por causa duma primeira página, e consequente artigo, d’O Primeiro de Janeiro. A muito confiante equipa editorial, afirma que os “os jogos de vídeo podem contribuir para o aumento da criminalidade”. Mais, como subtítulo mal mascarado, acrescenta “onda de violência não para de crescer.” Por esta altura, o leitor deverá estar a derramar um rio de lágrimas, ao mesmo tempo que pondera emigrar para um sítio onde a nossa cultura de eleição não sofre atentados diários destes; algum país longínquo e com décadas de avanço social e cultural… Espanha, por exemplo. Mas relaxe, puxe uma cadeira e a grade de cervejas ali no chão, fique mais um pouco. É que o festival da risota ainda está para vir…</p>
<p><span id="more-159"></span></p>
<p>Antes de mais, uma pequena nota ao leitor mais crítico: respeito toda e qualquer palavra impressa neste tipo de textos de opinião. Aliás, como apoiante máximo da liberdade de expressão e autor deste registo em forma de blogue, o contrário seria irónico, estranho e contraproducente, certo? Ok. Mas de ‘respeitar’ a ‘concordar’ vão muitas e muitas milhas de estrada ideológica e uma grande discrepância de atitudes.</p>
<p>“Na sequência da onda de criminalidade, O Primeiro de Janeiro coloca a hipótese dos jogos de vídeo também poderem estar por detrás do flagelo”. Sim, estou a citar letra a letra a introdução ao artigo. É uma estalada nos seguidores da lógica e ingénuos puros na análise independente. Para fundamentar a sugestão, recorrem a estudos, estudos e mais estudos que apontam o óbvio: os videojogos podem, em determinadas situações, alterar o comportamento de um indivíduo. Mas não estamos todos de acordo neste ponto? Qualquer experiência significativa, para qualquer pessoa com capacidade de interpretação aguçada, marca pontos importantes da nossa personalidade e altera a reacção a certos fenómenos sociais. Como já disse no passado recente, os videojogos com violência e sangue ao quilo não são mais ofensivos, neste aspecto, que assistir a um combate de <em>wrestling</em>, um qualquer filme de acção recheado de balas, ou ouvir um disco de <em>hip-hop</em>… de intervenção. Não terá tudo base no civismo, educação e interpretação correcta de cada um? Talvez não, talvez os videojogos sejam a nova praga para as crianças indefesas e impressionáveis do nosso tempo. Talvez os pais não consigam controlar os impulsos dos rebentos. Ou talvez tenha acordado com o fato de psicólogo popular vestido do avesso.</p>
<p>A prova, directa e sem espinhas, do medo que, neste exemplo, a indústria musical sente pelo polvo malvado que simboliza os senhores dos videojogos, está na opinião do guitarrista da banda britânica Oasis, Noel Gallagher. Diz o amedrontado que os videojogos, juntamente com as drogas, estão directamente relacionados com a onda de crimes que varre Londres. Ora caro Noel, boa sorte com essa ‘coisa’ da indústria da música. Um dia destes, ainda havemos de combinar um encontro num qualquer servidor do Xbox Live, quando a sua banda publicar um <em>best off</em> no serviço <em>online</em> da Microsoft. Até lá, comparar os problemas da capital inglesa com a realidade nacional é pura demagogia.<br />
Por cá, temos peças raras como a psicóloga clínica Ângela Ribeiro, que oferece pérolas destas a’O Primeiro de Janeiro’: “antes dos jogos virem para o mercado de vendas, deveria haver uma consulta prévia aos profissionais, como os psicólogos”. Faz todo o sentido, Dra. Ângela. Dessa forma, os psicólogos limitavam toda e qualquer liberdade criativa dos estúdios, ganhando um estatuto de <em>neo-</em>censores, com direito a faixa ao peito e diploma na parede. Além disso, o cheque por disco era pintado a algarismos de todas as formas e tamanhos. Brilhante! Mas não resisto a acrescentar: sempre que Sylvester Stallone apresentar um novo Rambo, com dezenas de cadáveres a rodar no ecrã por minuto, enviem-me a fita. Mesmo sem argumentos académicos para o efeito, terei todo o gosto em aplicar a estampa classificativa mais justa. O melhor de dois mundos ficaria, portanto, protegido e censurado ao extremo. Que cenário tão confortável para o rebanho lusitano, não concorda?</p>
<p>No rescaldo de mais uma jornada de terror editorial no tratamento aos videojogos, posso concluir que, pelo menos, os autores e responsáveis pela contínua campanha de desacreditação da indústria, não gostam da área. Tudo bem. Mas, antes de tentarem descrever GTAIV como a maior ofensa à alma Humana neste século, seria melhor… passar por Liberty City. Jogar.<img class="alignright" style="border:0 none;" src="http://images.wikia.com/uncyclopedia/images/thumb/0/05/Paper_Stalin.png/268px-Paper_Stalin.png" alt="" width="106" height="177" /></p>
<p>Enfim, só espero não ler títulos como “Super Mario apela ao comunismo!” ou “L.A.I.R. fez aumentar taxa de suicídio” nos próximos tempos. Já não era nada mau…</p>
<p>Em baixo, pode descarregar as páginas do afamado jornal e respectivo artigo. Tire as suas próprias conclusões.</p>
<p><a href="http://82.102.24.241/$sitepreview/oprimeirodejaneiro.pt/edicoes/1718.pdf" target="_blank">http://82.102.24.241/$sitepreview/oprimeirodejaneiro.pt/edicoes/1718.pdf</a></p>
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		<title>O fado luso pela voz da GameInvest.</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 11:18:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Costa</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0pt; text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border-color:black;" src="http://fotos.sapo.pt/yBotLkUvls20ypjWS8NW/" border="0" alt="" align="middle" /></p>
<div></div>
<div>O mercado de videojogos em Portugal é, essencialmente, volátil. No contexto Europeu, seremos dos poucos países, senão o único, em que a Sony tem um quase ofegante monopólio sobre os restantes candidatos a pedintes.  Pior, a paleta de tons e gostos é tristemente reduzida. Considero até que os dois grandes <em>lobbys</em> acidentais, jogadores casuais e os com calos na matéria, não suportam investimento alheio á marca Playstation. Vá-se lá saber porquê. Para o registo; não sou sequer pretendente a sociólogo, portanto rejeito juízos de valor baratos e incoerentes.</div>
<div>O quadro de desenvolvimento tem, contudo, outra cara, em Portugal. Começam a nascer produtoras interessantes, com argumentos intelectuais e monetários de relevo. Uma dessas empresas é a GameInvest, presidida por Paulo Gomes, personagem em destaque no <em>header</em> deste texto. Em discurso directo, <a href="http://www.edge-online.com/blogs/portugal-makes-its-play" target="_blank">no seu blogue pessoal hospedado no sítio da revista <strong>Edge</strong></a>, Paulo assume um discurso interessante, mas ambíguo. Se a ambição patente no objectivo nem nacional, nem Europeu, mas mundial (!), fica bem no cartaz de apresentação, a insistência no mercado de <em>Pop Games</em> (expressão utilizada pelo próprio) cai um pouco na monotonia instalada. Aliás, olhando para o <a href="http://www.gameinvest.net/home" target="_blank">catálogo da <strong>GameInvest</strong></a>, títulos como Sarah’s Emergency Room (Wii, Xbox 360) ou Sudoku for Kids (Nintendo DS) confirmam a filosofia da companhia. Como observador quase diplomado, arrisco perguntar: será esta a melhor forma de explorar as lincenças, quase divinas nos dias que correm, das consolas da Microsoft e Nintendo?</div>
<div>Ironia máxima: a GameInvest foge da facilidade, leia-se Playstation, na altura do investimento real. Ventos contrários, mas com cheiros de esperança, portanto.</div>
<div>Independentemente do sucesso da GameInves<strong>t</strong>, e outras companhias com projectos semelhantes, uma coisa é mais que certa: o estado de sítio da indústria dos videojogos tem tendência a evoluir, em Portugal.</div>
<div>Filosofias de desenvolvimento á parte, só não quero assistir a uma inauguração populista de um ‘grande centro de produção de videojogos’, por obra de qualquer governo, daqui a dez anos. Isso não.</div>
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		<title>Crónicas de um desafio anunciado&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Jul 2008 23:14:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando surge uma oportunidade profissional desafiante e prospectiva, qualquer pessoa rejubila sobre a ideia de uma nova aventura. No meu caso, portador de paixão genética pelo Universo dos videojogos, decidi, intrinsecamente, esperar por algo semelhante. E ainda bem. A proposta era simples: assumir as rédeas dos produtos Nintendo em Portugal, pela mão da Concentra, empresa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border-color:black;" src="http://fotos.sapo.pt/hzDDkLJ7Hr9vA3j7rcLu/" border="0" alt="" align="middle" /></p>
<p class="MsoNormal">Quando surge uma oportunidade profissional desafiante e prospectiva, qualquer pessoa rejubila sobre a ideia de uma nova aventura. No meu caso, portador de paixão genética pelo Universo dos videojogos, decidi, intrinsecamente, esperar por algo semelhante. E ainda bem. A proposta era simples: assumir as rédeas dos produtos Nintendo em Portugal, pela mão da Concentra, empresa por demais castigada pela comunidade nacional. O coração bateu forte e, claro, a confiança pela função, nunca exagerada, permitiu a minha entrada no barco da indústria lusa.</p>
<p class="MsoNormal">O leitor já conhecerá a minha tendência de análise crítica, portanto, com rosas e pólvora na manga, prometo trabalho, muito trabalho, aos acólitos da Nintendo. A equipa, ligeiramente remodelada, continuará a representar as ‘cores’ da gigante de Quioto, com a minha garantia e, porque não, ambição natural.</p>
<p class="MsoNormal">Já só me falta uma réplica do chapéu do Mario, certo?</p>
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		<title>“Mãe, vou ser um assassino.”</title>
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		<pubDate>Tue, 13 May 2008 23:40:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se a corrente geração de consolas tem algum mérito social é, indiscutivelmente, o de expandir o fenómeno dos videojogos a um público alheio até aqui. Contudo, o imperialismo norte-americano quase omnipresente em todas as formas de media, exporta para o mundo jogos e conceitos autobiográficos que nós, europeus, aceitamos como simples meios de entretenimento ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" style="border-color:black;" src="http://fotos.sapo.pt/Kf8Sj0KiVfk8zylDhJho/" border="0" alt="" width="390" height="104" align="middle" /></p>
<p class="MsoNormal">Se a corrente geração de consolas tem algum mérito social é, indiscutivelmente, o de expandir o fenómeno dos videojogos a um público alheio até aqui. Contudo, o imperialismo norte-americano quase omnipresente em todas as formas de media, exporta para o mundo jogos e conceitos autobiográficos que nós, europeus, aceitamos como simples meios de entretenimento ou repelimos definitivamente.</p>
<p class="MsoNormal">O último exemplo foi o lançamento circense da maior aposta da Rockstar e consequentemente da indústria, Grand Theft Auto IV.</p>
<p class="MsoNormal">Enquanto o mundo discute ferozmente os valores impressos no código genético da obra, milhões de jogadores nascidos na geração MTV elaboram argumentos para garantir aos pais a santa pureza em cada bala disparada por <em>Niko</em> e companhia.</p>
<p class="MsoNormal"><span id="more-15"></span></p>
<p class="MsoNormal">Para mim, GTA IV é um <em>petit nom</em> para polémica propositada, portanto prefiro encontrar razões que justifiquem o crescente número de ilegais em <em>Liberty City</em>.</p>
<div class="ljcut">
<p class="MsoNormal">Recentemente, li comentários de jogadores alemães em fóruns de discussão, profundamente revoltados com a política de importação e distribuição de videojogos por parte dos responsáveis do seu país natal. Por mais estranho que possa parecer, identifiquei-me imediatamente com os meus colegas de vício.</p>
<p class="MsoNormal">Na Alemanha existe uma censura implacável em relação a videojogos e material lúdico com elevado nível de violência gráfica. Sem querer fazer uma análise no reino da sociologia, a expressão ironia <em>mórbida</em> parece adjectivar bem esta atitude de um povo com uma história recente pintada a cor de sangue.</p>
<p class="MsoNormal">Os consumidores da restante Europa ocidental não conhecem esta realidade germânica, tendo todos os títulos identificados como <em>banhos de sangue não recomendados a crianças</em> e frequentemente apelidados de <em>ninhos de psicopatas</em>, disponíveis no mercado sem qualquer género de limitações. Concluo que nós, portugueses, continuamos a não saber dar valor á uma liberdade artística e cultural. O mesmo acontece com os videojogos.</p>
<p class="MsoNormal">Sou honesto, nunca gostei, nem gosto da série GTA. Talvez por me considerar um <em>neo-conservador</em> no meio, o meu conceito de diversão digital baseia-se fortemente no trabalho visionário de mestres como Yuji Naka, Miyamoto e Kojima no passado, ou em Suda, Mikami ou Sakaguchi mais recentemente. Pertenço portanto ao grupo de liberais desavergonhados que honram as obras nipónicas com nostalgia, mas abraçam sem contemplações novos padrões da indústria como a Wii. O leitor pode então assumir que a minha <em>veia oriental</em> me impede de desfrutar parte maioritária do gozo de GTA.</p>
<p class="MsoNormal">A ideia de espancar um peão no jogo só porque o botão de acção se propõe a isso, representa a definição literal de <em>sentimento antagónico</em>, pelo menos no meu dicionário. <span> </span>O desinteresse é tanto que prefiro ganhar horas num qualquer <em>beat’em’up</em> banal do que gastar esse mesmo tempo em <em>Liberty City</em>. E não, caro leitor, não me juntei ao rebanho, não comprei GTA IV.</p>
<p class="MsoNormal">Muitos dos meus amigos mais chegados, teólogos no factor Grand Theft Auto, insistem que eu iria gostar da história da série. Sem recurso a qualquer figura de estilo, não me parece. A verdade é que nasci para os videojogos com uma ideologia muito racional e liberal, portanto assento ideias no velho chavão, <em>gostos não se discutem</em>.</p>
<p class="MsoNormal">A máquina de promoção por trás de qualquer lançamento de um título assumido e propositadamente polémico e controverso como GTA IV tem forçosamente que enfrentar odes de vozes contra o seu produto. É normal e relativamente pacifico que um determinado factor da sociedade se impinja contra algo que vai contra os seus valores pessoas e comunitários, se vivemos em democracia, que façamos uso dela. Aliás, nas ultimas semanas os debatas televisivos e radiofónicos têm tido grande repercussão principalmente no outro lado do atlântico, onde nomes como (o cliente do costume) Jack Thompson, Hilary Clinton e até pregador da moda Barack Obama, lançam considerações acerca do jogo e da sua influência nos jovens.</p>
<p class="MsoNormal">Não foram precisas noites sem dormir para chegar á conclusão óbvia e exclusiva neste caso: Grand Theft Auto IV causou uma válida e provavelmente desnecessária hiperbolização do assunto.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 400px"><img style="border:0 none;" src="http://fotos.sapo.pt/iC04AJfZZprE2zDzZeIP/" border="0" alt="" width="390" height="156" align="middle" /><p class="wp-caption-text">Descubra as diferenças.</p></div>
<p class="MsoNormal">Voltemos aos debates sobre o tema. Normalmente, opõem uma mãe de família escandalizada e facilmente impressionável ou um jornalista da velha guarda preocupado com a <em>diabolização</em> da juventude, a um representante da imprensa especializada em videojogos. Muitas das vezes, as conversas acabam com uma pergunta pouco inocente da parte do jornalista. “Já jogou GTA?”. Invariavelmente, a resposta é negativa.</p>
<p class="MsoNormal">É quase ridículo ver alguém assumir firmemente uma posição sobre o que quer que seja, sem qualquer fundamento prático da matéria. No que toca aos videojogos, essa ignorância técnica é sempre transparente em qualquer interlocutor presunçoso.</p>
<p class="MsoNormal">Mas, sublinhando a minha abertura democrática, proponho analisar as acusações dos queixosos. Centrando a controvérsia na violência, pergunto-me qual será o papel das indústrias de entretenimento com mais história para contar nesta bola de neve? Sem grandes engodos acuso frontalmente as grandes companhias discográficas e os barões silenciosos de Hollywood de hipocrisia e concorrência desleal. A indústria cinematográfica começa a viver um período decadente, desinteressante e de constante apoio nos videojogos. É a real personificação de uma sanguessuga, fazendo milhões às custas de produções baseadas em histórias digitais. Infelizmente para muitos <em>semi-cinéfilos popcorn</em>, nem sequer os projectos inversos, videojogos com base em filmes de estúdios com maior sensibilidade do mercado e do seu publico alvo, têm tido sucesso relevante na qualidade do produto e nas vendas (salvo raríssimas mas notáveis excepções). Os fantasmas á frente das editoras musicais não reagem ao fenómeno cultural dos videojogos nem têm voz activa na discussão supracitada. Preferem aconchegar-se numa máscara deplorável também conhecida por música <em>pop mainstream</em>, lucrando com sucessos efémeros.</p>
<p class="MsoNormal">Curiosamente, os camaradas activistas anti-violência nos videojogos e por vezes como consequência anti-videojogos no geral, preferem esquecer que o consumo de violência por parte de menores é frequentemente maior nas indústrias que referi. Não tenho formação nem conhecimentos apoiados na área da psicologia, mas parece-me evidente que em certos casos pode ser difícil para uma criança de sete anos distinguir o real do virtual e confundir valores. Mas se ao jogar GTA IV, o menor está pelo menos a divertir-se de forma razoavelmente inofensiva, o que sentirá o jovem a ouvir um tema <em>rap</em> extremamente ofensivo e muitas vezes, esse sim, catalizador de acções moralmente discutíveis? Porque será que um pai nega ao filho o acesso a videojogos do género, mas convida a cria para uma sessão caseira de Rambo? Parece que de repente, assassinar alguém numa letra musical ou num guião de um qualquer filme é perfeitamente banal e entendido como expressão artística, mas quando acontece o mesmo ao premir um simples botão, os programadores da Rockstar passam a ser os representantes do <em>Demo</em> na terra e símbolo máximo de tudo o que está mal no mundo.</p>
<p class="MsoNormal"><em>Uff</em>, sinto-me como um advogado de Phoenix Wright…</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 400px"><img style="border:0 none;" src="http://fotos.sapo.pt/YojSOSYCHdTc6jFw8K4N/" border="0" alt="" width="390" height="156" align="middle" /><p class="wp-caption-text">Não era muito mais interessante vê-lo com um comando de uma consola na mão?</p></div>
<p class="MsoNormal">Este é acima de tudo um problema social e não um atentado á saúde pública dos jovens. As pessoas tendem a temer o que desconhecem, e este é mais um caso que o confirma. Aliás, associar a palavra<em> problema</em> a esta discussão, é sobrevalorizar a mesma, já que as entidades reguladoras tiveram a sensibilidade consensual em catalogar GTA IV como um título destinado a jogadores com mais de dezoito anos. Presumo então que estamos na presença de uma <em>não-polémica</em> alimentanda por advogados do Diabo sem qualquer conhecimento de causa.</p>
<p class="MsoNormal">Quanto a mim, defensor empírico de Grand Theft Auto como uma forma de entretenimento e expressão artística, apenas condeno a Rockstar e a Take-Two por provocarem claramente algumas das críticas a que são sujeitos. Entendo que a implementação da <em>habilidade</em> de conduzir alcoolizado pode beneficiar e provocar um aumento na taxa de diversão por minuto pela qual a companhia é reconhecida, mas foi uma manobra de mercado algo deselegante e descarada. Certamente, mais alguns milhões de cópias vendidas…</p>
<p class="MsoNormal">Caro leitor, assumo que por esta altura já terá a sua cópia de GTA IV a fazer par com a sua Playstation 3 ou Xbox 360. Se é pai ou mãe de um rebelde que vos roga pragas por ter acesso vetado ao jogo, ou duvida que o disco seja aquele presente de aniversário ideal, talvez fosse melhor confirmar que conhece a personalidade do destinatário. A interpretação de qualquer acto de violência física ou verbal num videojogo é invariavelmente muito pessoal, mas apelando á minha costela <em>hippie</em> que grita: <em>os videjogos são arte</em>, prefiro recomendar a transmissão dessa mesma ideologia aos demais jogadores.</p>
</div>
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