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Chegou o sol californiano. Começa amanhã a maior exposição de videojogos, feira, desfile de novas ideias ou formatação imposta da indústria para aquecer o Natal do povo. Escolha uma hipótese, acertará. Ora, como a tradição ainda importa, vou relatar e comentar tudo o que acontecerá durante as palestras da Microsoft, Nintendo e Sony, já a partir de dia 14 de Junho. Ao comentário em tempo real acrescentarei textos de opinião, crítica aos anúncios, momentos, projectos e personalidades que engrandeçam Los Angeles nos próximos dias. Atente ao calendário previsto para as três apresentações mais significantes da feira norte-americana:

14 de Junho – Microsoft – 18h30 (completo)
15 de Junho – Nintendo – 17h00 (completo)
15 de Junho – Sony – 19h30 (completo)

Como sempre, poderá seguir o relato das palestras através do Twitter. Caro leitor, só posso esperar que a E3 deste ano confirme aquele projecto ou série que quer de volta, ou novos jogos que os melhores imaginem no maior forno de ideias do nosso tempo.

Vamos a isso.

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E pronto, acabou. Na semana passada, a indústria riscou mais uma data no calendário da E3. A maior feira de videojogos do planeta exibiu poderes regenerativos, voltando ao bom formato do passado. Óptimo, correu tudo bem. Os anúncios foram saudáveis e interessantes, e as palestras aqueceram os corações dos sonhadores digitais no mundo. Gelado para o menino e para a menina, portanto. Neste ano, acompanhei as conferências da Microsoft, Nintendo e Sony (exclusivamente para o Now Loading Blog e LusoGamer) em tempo real através do Twitter, e elaborei um trio de textos de opinião sobre os assuntos explorados nessas apresentações. Para o leitor menos atento, recomendo esta lista de informação sobre o assunto:

Artigo ‘Microsoft – A Roda Quadrada’.
Artigo ‘Nintendo – Ave Mario’.
Artigo ‘Sony – Traços de Génio’.

Quanto às propostas de interesse vindas doutras editoras, ficam em banho maria, para outros textos. Com um ano cheio de emoções no saco, despeço-me da feira de Los Angeles. Até para o ano, Califórnia!

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Existem várias receitas para adornar o coração do jogador mais apaixonado, sempre decalcadas do prazer que sente ao ser projectado num mundo digital. A Sony, casa-mãe dos vendedores a retalho mais confusos da geração corrente, tem viajado por circuitos apertados e atalhos dúbios até ao bolso do consumidor comum. A demanda da empresa nipónica rompeu um casamento feliz com os lugares cimeiros do lucro gordo, mas traçou uma visão ideológica assente em bases sólidas. A marca PlayStation tem dançado nas bocas e canetas dos críticos mais acérrimos, por isso a conferência da Sony na E3 deste ano estaria destinada a uma combinação de evidências e truques de feira; aqueles que convidam o olhar mas sabem a pouco. Ora, bem acomodado na minha cadeira, isenta de expectativas ou qualquer espectáculo de humor reminiscente do passado recente, assisti a duas horas de surpresas. Ao leitor com mais apego a qualquer outra multinacional abastada – a Sony continua grande na contenda da indústria.

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Cammie Dunaway é mestra na arte do riso. Por momentos, pensei estar enamorado com a senhora. Segundo os livros, quando vemos a cara duma pessoa em todos os cantos da nossa lide, o coração bombeia sangue em força. Mas não. Cammie ganhou o estatuto de celebridade da indústria na afamada conferência de 2008. A partir dai, a foto da menina entupiu blogues e encheu fóruns de discussão. A líder de marketing da Nintendo voltou a ser a cara bonita (?) desta edição da E3 ao servir milhões de adeptos da empresa de Quioto. Desta vez, a palestra arrancou a atenção mundial logo nos primeiros minutos. Para além da insuficiência oftalmológica dos consumidores seniores da Wii e DS, que encheram o ecrã gigante de Los Angeles com momentos de felicidade digital, a Nintendo conseguiu focar a lente comercial na fatia mais insatisfeita da geração corrente – os amantes do passado da Nintendo. Numa arena pintada com todas as cores da Nintendo dos nossos dias, Cammie anunciou New Super Mario Bros. Wii com um sorriso de orelha a orelha. Fiquei feliz por ver o génio de Miyamoto, e da sua equipa criativa, explorado numa aposta paradoxal; New Super Mario Bros. Wii combinará a simplicidade mágica e eufórica do original Nintendo DS com o espírito multijogador da sucessora da GameCube. Quando quatro executivos da Nintendo entraram em cena, para demonstrar os méritos da obra, senti-me bem. É realmente emocionante ver um ícone da indústria ser tratado com tanta atenção e devoção. Com quatro participantes nas planícies horizontais de Mario, esta aposta pode cair no charco público da Wii; é nostálgico e inovador para os adeptos mais antigos e verdadeiramente novo para o consumidor base da consola. Gostei, pronto.

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1 de Junho de 2009. A arena da maior feira de videojogos do planeta pinta-se de verde lima para anunciar a boas novas do panorama criativo da Microsoft. A descendência digital da gigante norte-americana ganha milhões de adeptos e sonhadores pelo  mundo; a Xbox 360 é o centro das atenções na Califórnia. Rodeados por uma plateia ansiosa por novidades que a sustente, os executivos engravatados da Microsoft dão inicio ao desfile de personalidades vestidas de verde de ocasião. Os primeiros notáveis a pisar o palco foram Ringo Starr e Paul McCartney. As duas lendas, um pouco constrangidas e fora do seu habitat natural, louvam os méritos de The Beatles: Rock Band. A surpresa do momento, contudo, foi a presença de Yoko Ono no palco de Los Angeles. A aposta é certeira, já que a obra transporta os melhores momentos dos rapazes de Liverpool até à geração digital corrente. Sei que o mercado abraça calorosamente títulos como Rock Band, mas não fiquei especialmente entusiasmado. Mas, aos apaixonados pela música de sofá -  está tudo no bom caminho.

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À atenção do leitor mais apaixonado pela feira californiana – vou estar a par de tudo o que acontece na E3 2009. Ao minuto. Mais, como o ano corrente é propicio a isso, vou comentar os melhores momentos das três conferências mais significativas da feira – Microsoft, Sony e Nintendo. Se é adepto das maravilhas do Twitter, saiba que vou relatar os acontecimentos mais importantes de cada apresentação em tempo real. Se quiser seguir a palavra do escriba de serviço, aponte para a minha página do Twitter, hoje (1 de Junho) às 18h25 (hora de Lisboa) para seguir os meus comentários. Depois disso, virão os textos da ordem, claro!

Atente ainda ao calendário da feira:

Microsoft: 2ª feira, 1 Junho, 18:25 – Relato e comentários em tempo real em Twitter.com/DannyCosta (ACABOU)

Electronic Arts: 2ª feira, 1 Junho, 22:00

Ubisoft: 3ª feira, 2 Junho, 01:00

Nintendo: 3ª feira, 2 Junho, 17:00 – Relato e comentários em tempo real em Twitter.com/DannyCosta (ACABOU)

Sony: 3ª feira, 2 Junho, 19:00 – Relato e comentários em tempo real em Twitter.com/DannyCosta (ACABOU/RELATO CANCELADO DEVIDO A PROBLEMAS TÉCNICOS)

Square-Enix: 4ª feira, 3 Junho, 19:00

Konami: 4ª feira, 3 Junho, 23:00

Que comece a azáfama!

O belo do papel verdinho norte-americano, impulsionador do mercado de videojogos nos últimos anos, tem sido irresistível para os nipónicos mais submissos. A grande surpresa da conferência de imprensa da Microsoft, na E3 deste ano, foi, portanto, relativa. Yoichi Wada, presidente da Square-Enix, desferiu um golpe seco, suportado pela independência financeira e intelectual em relação à Sony, e pelo amor declarado aos jogadores ocidentais. O anúncio de Final Fantasy XIII como nova pérola no catálogo Xbox 360 representa mais que uma boa notícia para os fanáticos da série e donos exclusivos da caixa da Microsoft. A companhia americana reforçou uma liderança moral, financeira e prospectiva, contra uma rival perfeitamente abstémia, inviolável na sua filosofia interna. A Sony, melhor, a Playstation 3, perde assim a exclusividade dum franchise que se confundia com a própria marca. O leitor mais fervoroso, adepto incondicional do símbolo Playstation, sentirá a crise de identificação de forma mais orgânica. Paciência. Mas descanse; os responsáveis da Square-Enix não partilham o seu trilho emocional, para contentamento de milhões jogadores por esse mundo…

Quanto á restante informação exprimida da longa conferência, foi uma longa carta apaixonada, com destinatário por demais evidente: o rentável jogador casual. O simulador de karaoke, Lips, ou as sequelas Guitar Hero: On Tour e Rock Band 2, reforçam a nova cara da Xbox 360, também apontada aos adeptos esporádicos. A clara colagem á estratégia adversária simboliza a tentativa fugaz de conquistar um nicho de mercado, há muito ignorado pela Microsoft. Resta esperar pela reacção do consumidor. Provavelmente o objectivo comercial será alcançado sem grande dificuldade, tendo em conta o mau momento da Sony nas consolas domésticas, mas duvido da operação de lavagem de imagem, em curso para a Xbox 360. Tentar associar um produto, tido em boa conta por adeptos da violência gratuita e acção ocidental na primeira pessoa, a um catálogo mais ecléctico, pode ser um erro. Fruto da ganância típica da companhia de Seattle, talvez, mas a qualidade estará, pelo menos, assegurada. As imagens de Viva Piñata 2 confirmaram a teoria. Mais do mesmo, sempre os pés bem assentes no chão e interpretação qualitativa acima da média.

Cliffy B., novo rockstar do panorama digital, fez questão de apresentar o fresquinho Gears of War 2. A audiência espelhou a válida expectativa em redor do jogo da Epic Games, mas a minhas hormonas ficaram inalteradas, estáticas perante tal arrogância do designer das massas. Como diria a velhinha mais simpática do palco cómico da televisão nacional, aquele homem “não me entra”. Que fazer?

Já Fable II, devidamente apresentado pelo muy-respeitado Peter Molyneux, confirmou as minhas expectativas mais optimistas. A essência da escolha, o prazer da aventura e o desenvolvimento de uma qualquer personagem, justificam a ânsia pela chegada do disco, em Outubro. Sem dúvida, um dos momentos da palestra.

Mas foi Resident Evil 5 que captou toda a minha atenção. O melhor entre o bom, a cereja no topo do bolo, ou outra analogia a gosto. A Capcom apresentou a funcionalidade de co-op, onde dois jogadores desafiam os zombies de África. Um pouco conservadora, mas extremamente funcional e entusiasmante. Contudo, fiquei pasmado com a aproximação, de todos os títulos em montra, á sensibilidade americana. É verdade que a grande maioria dos designers nipónicos já reconheceram a hegemonia financeira do país de todos nós, mas a americanização extrema de todo e qualquer produto, pior, ideia ou concepção, acciona aquele nervo que mantenho desde a infância. Se me dissessem, há oito ou nove anos, que Resident Evil viria a assumir uma mecânica de co-op, super inspirada pelo sucesso de… Gears of War, nunca acreditaria. Mas, relembrando a surpresa de Wada com Final Fantasy XIII, já não há heróis. Nem valores. Apenas números e pasta da grossa. Que a feira de Los Angeles sirva como reflexão, europeia e japonesa, sobre o assunto…

Fiquei satisfeito com o anúncio da nova actualização para a dashboard da Xbox 360. A implementação dos Mi… Avatares sublinha a aproximação a outro público, por parte da Microsoft. Tudo bem. O sistema parece apelativo, suficientemente básico e acessível. O leitor, jogador mais casual e provável chefe de família, ficará satisfeito com os mini jogos familiares, descomplexados e bastante objectivos. Já o amigo mais empenhado, passará minutos a construir um modelo adaptado á personalidade reconhecida, mas aposto: a distracção será supérflua. Mas enquanto o esperado update não chega, fico com a sensação que os senhores Iwata e Miyamoto estarão bem confortáveis, no topo da cadeia alimentar, a rir. A rir muito, mesmo.

Pesando as notícias saídas da conferência, o saldo acaba por ser positivo para as duas partes interessadas. A Microsoft tenta um equilíbrio, num catálogo de serviços já bastante forte, enquanto o consumidor vê o leque de opções aumentar substancialmente. Mas o factor risco continua presente. A imprevisibilidade da competidora directa coloca a Xbox 360 num poleiro momentâneo. Já que a Wii joga noutra liga, resta esperar para ver o comportamento da Playstation 3 no mercado. É importante contar a pólvora que resta à Sony, para o ataque final a 2008.

Peter Molyneux tem o dom da persuasão. O inglês consegue convencer o público que uma maçã vale a macieira completa. Foi o caso com a suposta oitava maravilha do mundo digital, Fable. Tido como grande estrela do catálogo de RPGs em 2004, o título da Lionhead Studios cumpriu as premissas básicas, mas desiludiu aqueles que esperavam uma revolução no género. Admito que Fable não foi o ‘Project Ego’ que Molyneux prometeu, mas gostei do épico da Xbox. A mecânica de escolhas éticas, uma aventura interessante e incrivelmente pessoal, e escolhas felizes no departamento sonoplasta, confirmaram uma estadia longa do disco na minha caixa negra.

Grande parte do espírito, medieval e fantasioso, continua presente no código genético de Fable II. A oportunidade de viver cada acção da personagem, com uma interacção definitiva e importante do jogador, será o maior desafio da Lionhead, nesta sequela prevista para Outubro deste ano. Aliás, a maior crítica possível ao original está na interpretação díspar das opções do aventureiro. Parece que Molyneux viu o mundo através duma lente policromática. Podia levar a minha personagem aos picos do mal, ou torná-la na materialização da santidade. Não havia meio-termo.

A habilidade narrativa do enredo, linear mas competente, disfarçou as restantes arestas e pintura fresca, mas o sabor agridoce continua a gerar discussão entre a comunidade. Felizmente, a Lionhead foi sensível á critica geral, demonstrando uma capacidade de encaixe digna de registo. Melhor, Fable II poderá ficar marcado pela evolução de um sistema de valores e acções, completamente redesenhados. Além da epopeia, lendária mas simplista, do bem e do mal, o jogador poderá ter os seus feitos julgados por diferentes critérios. Ou pelo menos mais expansivos. Amabilidade, corrupção e crueldade, serão características aplicáveis na nova aposta exclusiva para Xbox 360.

Mais uma vez, a E3 terá um papel fundamental para objectivar o trabalho dos senhores da Lionhead, já que a informação disponível ainda deixa um pouco a desejar.

As perspectivas são justamente positivas. Espero um título mais maduro, ambicioso e ajustado ao seu período de concepção. Peter Molyneux tem a oportunidade única, de redenção perante uma determinada fatia de público, e de assumpção duma postura discutível, mas útil e necessária ao panorama criativo actual.

Cliff Bleszinski é o novo Messias, para adeptos do disparo fácil e desmiolado. O leitor, mais ambientado às minhas ideias, reconhecerá de imediato a expectativa moderada por Gears of War 2. Aliás, qualquer título representado por sacos de músculos e esteróides, com perfeito sotaque e atitude americana, não terá vida fácil nas minhas mãos. Mas reconheço os méritos da Epic Games. Gears of Wars simbolizou uma era e filosofia da Microsoft para a Xbox 360. Tecnicamente, fez as delícias da comunidade, com uma componente multi-jogador bastante sólida e mecânicas significantes. Os carrinhos de compras dos consumidores, possivelmente alheios a ofertas mais eclécticas, responderam em força, sublinhando os sorrisos dos senhores da Microsoft. Mas… e agora? Com um orçamento extremamente inflamado, os lacaios de Bleszinski têm obrigação, mais, o dever de servir os súbditos mais leais. Com o anúncio inevitável da sequela, a expectativa cresce entre os fãs, e nada além do aperfeiçoamento do notável será aceite.

As primeiras imagens e detalhes de Gears of War 2, confirmaram o esperado: a sequela assentará bases conceptuais no motor do original. Pelo menos no campo da jogabilidade e interacção básica. É que o supra-utilizado motor Unreal Engine 3 foi sujeito a uma operação estética de primeira necessidade. Além da física tão adorada, conte com uma versão pixelizada á lupa de Marcus Fenix, protagonista da trama.

As novidades devem correr na feira mais esperada do ano, mas, considerando o carregamento de informação sobre o título, a segunda parte de Gears of War seguirá o padrão artístico corrente no género; ambiente sobreposto a película acastanhada. Ou cinzenta. Ou vermelho sangue, aquele tom tão apelativo e… comercial.

Para o meu interesse egoísta, salva-se a narrativa semi-interessante. Fã incondicional das adaptações de ‘banda desenhada’, será o guião – leia-se glorificação de personagens norte-americanas que salvam a Terra – a despertar o Deus bélico em mim. Ou não. Veremos…

Como Cliffy B. deixou bem claro, numa entrevista recente, é sempre possível “criar monstros maiores”. Para benefício do leitor mais entusiasmado, espero que não façam sombra ao ego do homem.

Para o registo, a entrevista em que Cliff se assume como candidato à cadeira quente de cineasta, em Hollywood. Estará na profissão certa?

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