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Acabou. A Tokyo Game Show deste ano fechou oficialmente as portas, após 3 dias com a mais relevante arte digital em montra. Saiba o leitor que o festival nipónico mais tradicional desta lide não cumpriu um objectivo basilar, previamente indicado pelos contendores em prova naquele circo mediático: o assumir de caminhos diferentes, apoiados em novidades de aguçar o apetite. Com mais de 700 obras em montra, as empresas anunciantes preferiram jogar pelo seguro, garantindo um fim de ano fiscal mais cómodo e conservador. O resultado? A esmagadora maioria dos participantes preferiu publicitar trabalho previamente anunciado, entupindo os olhos do visitante comum com milhares de vídeos e imagens. Além disso, Tóquio foi palco dum verdadeiro festim de hipocrisia, simbolizado pelo desabafo de Keiji Inafune, génio criativo da Capcom que imaginou Mega Man e produziu Onimusha. Diz Inafune, em discurso directo, que a indústria japonesa “está acabada”. “Estamos feitos”, chora o homem da Capcom, numa clara alusão à falta de alma e personalidade japonesa dos jogos apresentados na Tokyo Game Show. De seguida, Keiji Inafune proferiu, letra por letra, a seguinte afirmação sobre Dead Rising 2: “o objectivo é combinar as percepções ocidentais com o desenho japonês para que este novo jogo consiga um apelo global”. Caro leitor, a hipocrisia é tão gritante que nem merece qualquer referência. A indústria japonesa arrastou o próprio corpo para um charco demasiadamente lamacento, à custa do mercado global em que vivemos. Os valores flutuantes dos designers nipónicos parecem baços, sem expressão ou futuro risonho.

Ora, para espantar os abutres mais tristonhos do evento, sugiro 4 obras que merecem destaque. Os trailers apresentados foram suficientes para roubar (ainda mais) atenção ao seu escriba de serviço, pela qualidade e brilho evidentes. Uma selecção do melhor, entre o banal.

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Cammie Dunaway é mestra na arte do riso. Por momentos, pensei estar enamorado com a senhora. Segundo os livros, quando vemos a cara duma pessoa em todos os cantos da nossa lide, o coração bombeia sangue em força. Mas não. Cammie ganhou o estatuto de celebridade da indústria na afamada conferência de 2008. A partir dai, a foto da menina entupiu blogues e encheu fóruns de discussão. A líder de marketing da Nintendo voltou a ser a cara bonita (?) desta edição da E3 ao servir milhões de adeptos da empresa de Quioto. Desta vez, a palestra arrancou a atenção mundial logo nos primeiros minutos. Para além da insuficiência oftalmológica dos consumidores seniores da Wii e DS, que encheram o ecrã gigante de Los Angeles com momentos de felicidade digital, a Nintendo conseguiu focar a lente comercial na fatia mais insatisfeita da geração corrente – os amantes do passado da Nintendo. Numa arena pintada com todas as cores da Nintendo dos nossos dias, Cammie anunciou New Super Mario Bros. Wii com um sorriso de orelha a orelha. Fiquei feliz por ver o génio de Miyamoto, e da sua equipa criativa, explorado numa aposta paradoxal; New Super Mario Bros. Wii combinará a simplicidade mágica e eufórica do original Nintendo DS com o espírito multijogador da sucessora da GameCube. Quando quatro executivos da Nintendo entraram em cena, para demonstrar os méritos da obra, senti-me bem. É realmente emocionante ver um ícone da indústria ser tratado com tanta atenção e devoção. Com quatro participantes nas planícies horizontais de Mario, esta aposta pode cair no charco público da Wii; é nostálgico e inovador para os adeptos mais antigos e verdadeiramente novo para o consumidor base da consola. Gostei, pronto.

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