Archive for January, 2010

Além da cortina de sangue e medo que cobria o mundo, havia esperança. Uma luz. O sonho impossível, refém da condição Humana mas superior ao resto. Quando o medíocre venceu, ficou a visão utópica dum grupo iluminado, um nicho de almas que carregava o peso da cultura, arte e ciência. Pela mão e voz de Andrew Ryan, guiou-se a elite a algo novo, nasceu uma sociedade fundada no brilho e grandeza. Limpo o sangue que pintou o mundo num conflito de todos, a ideia, o tal sonho ganhava alma. Rapture. O destino dos grandes. O derradeiro passo civilizacional. Mais que uma cidade, Ryan imaginou uma sociedade livre de correntes, um templo oculto sem oração ou hipocrisia. Perdida no fundo do Atlântico, Rapture respirava sob quem forçou a sua existência, aconchegada pela calma do mar numa era de revolta. No inicio de vida da cidade, a vontade de um era o ganho de todos. Andrew Ryan renegava a generosidade do frio e a bondade do novo mundo, preferia a bênção do capitalismo como suporte político e ideológico. Ainda no berço, a cidade de génios chorava por mais, por justificação e sentido.

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Começa 2010, revejo os feitos do ano que passa, fico perdido em nostalgia. Todos os Invernos a mesma sina. Relembrando o catálogo digital de 2009, encho um saco de ouro por polir, obras que me fugiram da vista por ignorância ou miopia do gosto. Essa nostalgia estende-se às glórias de outrora, quando se aquecia o coração com a arte do salto. Idealismo irredutível e criatividade de mãos dadas, cartuchos visionários enlatados na prateleira do esquecimento. Faz-me falta esse tempo. Onde moram esses génios do simples?

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