O Ano do Porco.

Publicado por DannyCosta Em 21 Dec 2009

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O último mês do ano é, por norma, uma época de reflexão e harmonia. Em Dezembro quer-se paz de alma, mais tempo com a família e felicidade embutida no melhor espírito capitalista. Ora, para revestir os cofres da indústria a ouro verde, o adepto fiel à arte digital tende a emagrecer a carteira a cada oferta apelativa. O Natal propõe o investimento em obras consensuais entre críticos e consumidores, qual cruz que une meio mundo, enquanto afoga qualquer proposta mais rebelde, fora do molde megalómano da quadra. Modern Warfare 2 continua a guerrilha urbana da Infinity Ward, Assassin’s Creed II oferece um guia interactivo da Itália renascentista e New Super Mario Bros. Wii garante nostalgia e sorrisos. Fecha-se um ano relevante, tributa-se a melhor arte em montra.

Aconchegado pelo calor da lareira natalícia, redescubro a magia e apelo das obras mais marcantes de 2009. Volto à experiência agridoce de Resident Evil 5, relembro as batalhas cerradas de Street Fighter IV e a elevação técnica de Uncharted 2. Mas além do mérito criativo apoiado pela pujança financeira dalgumas editoras, registo doze meses absolutamente vitais para o futuro da indústria. A queda do mercado japonês, resultante de confusão conceptual e pouco apego ao passado, e a uniformização ideológica das propostas com maior acento no retalho mudaram o cenário, rodaram o palco. A euforia adolescente de outrora fica definitivamente guardada no álbum de memórias de cada aventureiro de sofá. Em 2009, quiseram-se discos com mais crítica social e política, polémica pintada a vermelho sangue com destaque na imprensa generalista. Pelo filtro viril desta geração, incutiu-se prioridade à melhor textura possível, ao maior arsenal bélico, relegando ideias e alma para código adjacente.

Retenha-se ainda a expansão da distribuição digital. Este ano, a revolução silenciosa da indústria ganhou força e entusiastas. Entendi a entrada da PSP Go em cena como uma carta de amor da Sony, um turno preparatório e inteligente. O adeus adocicado ao formato UMD anuncia um sistema de distribuição mais democrático e acessível, finalmente assumido como primeiro método de consumo. O crescimento do conteúdo adicional, ou ouro no fim do arco-íris, garante mais horas de entretenimento e o melhor champanhe no Natal das respectivas editoras. Prevê-se renovação e prosperidade, portanto.

Caro leitor, além da ansiedade pela melhor arte de 2010, celebre esta época festiva com uma certeza: vivemos em tempos interessantes, de facto.

Também pode ler este texto na edição nº9 (Natal/Janeiro) da Revista Smash!

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