
Longe vai o tempo da inocência digital, quando a arte interactiva se limitava a um par de cores e outro de ideias. Numa época de expansão criativa, onde as aventuras horizontais encantavam cada sonhador de sofá, havia espaço, tempo e liberdade para cravar ideias em cartuchos poeirentos. A Boy and His Blob caiu num charco abundante em qualidade e oferta, deixando um rasto de interesse e curiosidade entre os mais atentos. Caro leitor, provavelmente não experimentou o mérito da obra, aquando o lançamento europeu para NES em 1991. Saiba que A Boy and His Blob propunha um enredo tão linear como pálido, derrotar um imperador do mal não caberia na minha agenda adolescente, e uma estrutura de progressão ímpar e reaccionária. Essa impressão agridoce não estancou ideias no desenvolvimento da mecânica em montra; a personagem central trabalhava com Blob, uma bola branca saída duma qualquer fábula, que adaptava a sua forma física a cada obstáculo. Por exemplo, Blob poderia assumir a forma duma escada, possibilitando a progressão do rapaz até à próxima secção dum nível. Haverá servente digital mais capaz?
Ora, para celebrar este clássico escondido, a WayForward imaginou uma nova interpretação de A Boy and His Blob para a Wii. Recorrendo à mesma ideologia criativa, o estúdio californiano preferiu esquecer as vantagens da tecnologia de movimento do Wii Remote, tentando emular um espírito mais conservador e saudosista. O disco, que estará disponível nos retalhistas europeus a partir de 6 de Novembro, promete uma palete de cor reminiscente de outrora, um tributo original à tal inocência e ilusão entretanto esquecidas.
A Boy and His Blob será como uma brisa do passado, um convite à emoção que fundou esta indústria.




O miudo é simplesmente adorável! Aliás, todo o jogo é adorável!
E são este tipo de jogos que me fazem querer comprar uma Wii! Relembrar velhos tempos é sempre agradável, mas quando depois vejo o uso que iria dar à consola, não iria justificar de, nem de perto nem de longe, o dinheiro gasto nela.