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Final Fantasy encanta milhões de sonhadores. A epopeia da Square-Enix inventou uma lenda, um sonho comum a cada aventureiro de sofá. Em duas décadas de vitórias criativas e comerciais, o estúdio japonês brotou personagens inesquecíveis, compôs trechos musicais inigualáveis e envolveu o público numa esfera de emoção, aposta e recompensa. Além dos méritos conceptuais, cada título da saga Final Fantasy consegue tocar o coração de quem aceita Universos de magia, onde as leis do nosso mundo caem num papel secundário. Talvez pela exploração pioneira de sentimentos e emoções bem Humanas, até então incomuns numa indústria perfeitamente linear, os adeptos mais fervorosos de Final Fantasy anseiam por qualquer proposta que cumpra a premissa ideológica da série.

Final Fantasy XII, último disco da série a nascer na PlayStation 2, ferveu a fórmula num caldeirão de críticas e dúvida. Enquanto os consumidores choravam por justiça aos RPG mais conservadores, entupidos em batalhas aleatórias e combates por turnos, a Square-Enix pensou numa renovação controversa. FFXII promovia o combate em campo aberto, num sistema de batalha híbrido e original. Longe da acção visceral doutros títulos pintados a vermelho sangue, a equipa de Yasumi Matsuno (Vagrant Story) imaginou uma mecânica fluída, quase orgânica, onde a interacção com os inimigos era exclusiva ao mapa de navegação em Ivalice, o palco onde se desenvolve a trama de FFXII. A simbiose perfeita entre ideias do passado e conceitos renovadores potenciou a competência técnica da obra, emprestando sentido e nova direcção a uma série que parecia estagnada, alheia ao tempo e ambiente em que respirava. Caro leitor, saiba que ainda hoje interpreto o motor de combate de FFXII como o pico criativo de muitas mentes envolvidas no projecto, e símbolo máximo da evolução ambiciosa mas tributária duma das maiores aventuras digitais do nosso tempo. A raiva de muitos espelha, sobretudo, irracionalidade e pouco poder de análise perante um enorme feito artístico e técnico.

Realço ainda a extraordinária dobragem ocidental, realizada por actores com sotaque das ilhas britânicas, que impõe um poderoso soco emocional a cada linha de diálogo. Mesmo admitindo a frieza narrativa dos guionistas de serviço, Miwa Shoda (Legend of Mana) e Daisuke Watanabe (Kingdom Hearts), o enredo político e racional da obra ofereceu outras camadas de interesse às histórias de Final Fantasy, atraindo novos entusiastas e afastando os que pediam mais um conto romântico. Numa lenda de guerra e conspiração, os artistas de caneta em punho brindaram o mundo com personagens absolutamente memoráveis; não me esquecerei do pirata Balthier tão cedo! Adjacente a toda esta competência na produção de FFXII, o exclusivo PlayStation 2 pintou ecrãs com uma altíssima sensibilidade artística. Qual canto do cisne, a atenção ao detalhe, texturas e cor notáveis, modelagem incrível e imaginação delirante, contribuíram para banhar FFXII em ouro estético. O décimo segundo capítulo de Final Fantasy será o quadro mais bonito na galeria PS2.

Final Fantasy XII é uma pérola brilhante, um grito artístico inesquecível que justifica a entrada nesta lista de emoções. Ao leitor mais relutante, que vive preso à mecânica de outrora, talvez seja tempo de abraçar o melhor de Ivalice.

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