
Section 8 será publicado pela SouthPeak Games. Esta afirmação sugere alguma moderação na expectativa e avaliação da obra em causa; Section 8 cai no catálogo de distribuição duma empresa (re)conhecida pela mira pouco calibrada. Caro leitor, atente à lista de competências dúbias apoiadas pela SouthPeak, nos últimos anos: Two Worlds, Legendary, X-Blades e Velvet Assassin. Sem grande dificuldade, pode identificar o elemento comum nas palavras dos críticos, aquando o lançamento de cada disco em montra – desilusão. Independentemente do estúdio que brotou a (suposta) arte digital, abençoada com dólares da SouthPeak, esses quatro projectos caíram num poço de ninguém. Talvez por miopia criativa, ou inspiração demasiadamente óbvia, a SouthPeak ainda chora por um qualquer sucesso comercial. Ora, caído do céu, ou dos estúdios da TimeGate (F.E.A.R. Files), aparece o tal Section 8; um shooter na primeira pessoa com aspirações (quase) divinas. Estará, finalmente, quebrado o enguiço da SouthPeak? A competição é grande, mas a ambição ainda é maior.
Quando descarreguei a demonstração de Section 8, a partir do Xbox Live Arcade, fui surpreendido com a apresentação pujante da obra. Os texanos da TimeGate tentaram emular o espírito de combate futurista presente em inúmeras propostas do género. Section 8 transpira personalidade, não por mérito ou feitos conceptuais, mas por apoio descarado em material criativo alheio. Mesmo avaliando uma demonstração, altamente castradora e focada na componente multi-jogador, suei gotas de descrédito, enquanto assistia ao desfile de soldados saídos dum centro interplanetário, vestidos a metal reluzente e equipados com toneladas de armamento intimidativo. O cenário criativo de Section 8 parece tão banal como desinteressante; a TimeGate mordeu o isco mais apetecível da indústria, quando imaginou mais um banho de sangue futurista interpretado na primeira pessoa. Salva-se a competência técnica em montra, portanto. Com a (hipotética) excepção de qualquer mérito na narrativa do modo Campanha, entretanto ausente da demo, apoio a postura defensiva perante a ambição no departamento artístico e imaginativo de Section 8…
A mecânica de combate furtivo de Section 8 pode ser apelativa, para o leitor mais adepto do disparo digital. A TimeGate propõe um confronto armado entre equipas, devidamente vestidas de azul ou vermelho, com objectivo primário definido – derrotar todos os membros da turma adversária, enquanto assalta os pontos de controlo inimigo. Quando o soldado virtual entra no campo de batalha (o único mapa disponível na demonstração é uma ilha minúscula), fá-lo através dum salto de fé, a cerca de 15.000 pés de altitude, até tocar no solo. Esta entrada, digna do maior herói de Hollywood, propõe uma dose elevada de estratégia e planeamento; o sitio da aterragem pode definir o resultado da partida. Depois, aparecem os ensinamentos basilares do género, embutidos em qualquer shooter moderno digno de tributo. Carregamos um bom número de armas de fogo (dispostas por classes), disparando contra todo e qualquer adversário mais atrevido. Só isso. Registe-se a mecânica competitiva, mas algo gasta, e a competência técnica da mira, exploração do terreno e defesa de território.
Entendo a expectativa gigantesca à volta de Section 8. Mesmo com sinais de inspiração alheia e pouca clarividência criativa, ainda há esperança para o trabalho da TimeGate. Caro leitor, se for um dos mais impacientes, recomendo uma valente colher de moderação e um pano encharcado em realismo. Mesmo com um enredo prometedor, julgando a informação disponível, Section 8 arrisca uma traição desmedida à expectativa geral…





Marco Almeida
Este jogo também não me inspirou muita confiança… Do que joguei, não senti qualquer ligação com ele. Bastou-me entrar em jogo, juntar-me a uma equipa, desatar a disparar e foi ver o número de mortes a subir (sejam as minhas ou dos adversários
)
August 29, 2009 at 22:06