
Estou triste. Como jogador, e peão escondido numa indústria que praticamente não existe, só posso ficar boquiaberto com o recorrente desrespeito (e ignorância na matéria) demonstrado pelos meios de comunicação social; pelos mais sensacionalistas e apoiantes do conservadorismo típico em Portugal. O tema da moda, desculpa oportunista para os males da terra, é a violência em excesso nos títulos mais vendidos e populares. Perdão; em Grand Theft Auto IV. O jogo da Rockstar ocupa páginas e páginas em publicações nacionais, como se fosse símbolo completo da ideia, do reconhecido ‘mundo dos videojogos’. Mas não posso ficar muito surpreendido. Aliás, para além da marca Playstation e meia dúzia de séries que conservam um monopólio no nosso mercado – leia-se futebol e corridas com fartura – a imprensa generalista obriga os zombies deste cantinho a olharem para os próprios pés; sem direito a consumir cultura digital, que não a tradicional apoiada pelo nosso conservadorismo quase histórico. Tudo muito normal, muito enfadonho e cinzento neste pontinho da Europa…
Mas queixas à parte, apenas volto a este assunto, tão aborrecido e ultrapassado, por causa duma primeira página, e consequente artigo, d’O Primeiro de Janeiro. A muito confiante equipa editorial, afirma que os “os jogos de vídeo podem contribuir para o aumento da criminalidade”. Mais, como subtítulo mal mascarado, acrescenta “onda de violência não para de crescer.” Por esta altura, o leitor deverá estar a derramar um rio de lágrimas, ao mesmo tempo que pondera emigrar para um sítio onde a nossa cultura de eleição não sofre atentados diários destes; algum país longínquo e com décadas de avanço social e cultural… Espanha, por exemplo. Mas relaxe, puxe uma cadeira e a grade de cervejas ali no chão, fique mais um pouco. É que o festival da risota ainda está para vir…
Antes de mais, uma pequena nota ao leitor mais crítico: respeito toda e qualquer palavra impressa neste tipo de textos de opinião. Aliás, como apoiante máximo da liberdade de expressão e autor deste registo em forma de blogue, o contrário seria irónico, estranho e contraproducente, certo? Ok. Mas de ‘respeitar’ a ‘concordar’ vão muitas e muitas milhas de estrada ideológica e uma grande discrepância de atitudes.
“Na sequência da onda de criminalidade, O Primeiro de Janeiro coloca a hipótese dos jogos de vídeo também poderem estar por detrás do flagelo”. Sim, estou a citar letra a letra a introdução ao artigo. É uma estalada nos seguidores da lógica e ingénuos puros na análise independente. Para fundamentar a sugestão, recorrem a estudos, estudos e mais estudos que apontam o óbvio: os videojogos podem, em determinadas situações, alterar o comportamento de um indivíduo. Mas não estamos todos de acordo neste ponto? Qualquer experiência significativa, para qualquer pessoa com capacidade de interpretação aguçada, marca pontos importantes da nossa personalidade e altera a reacção a certos fenómenos sociais. Como já disse no passado recente, os videojogos com violência e sangue ao quilo não são mais ofensivos, neste aspecto, que assistir a um combate de wrestling, um qualquer filme de acção recheado de balas, ou ouvir um disco de hip-hop… de intervenção. Não terá tudo base no civismo, educação e interpretação correcta de cada um? Talvez não, talvez os videojogos sejam a nova praga para as crianças indefesas e impressionáveis do nosso tempo. Talvez os pais não consigam controlar os impulsos dos rebentos. Ou talvez tenha acordado com o fato de psicólogo popular vestido do avesso.
A prova, directa e sem espinhas, do medo que, neste exemplo, a indústria musical sente pelo polvo malvado que simboliza os senhores dos videojogos, está na opinião do guitarrista da banda britânica Oasis, Noel Gallagher. Diz o amedrontado que os videojogos, juntamente com as drogas, estão directamente relacionados com a onda de crimes que varre Londres. Ora caro Noel, boa sorte com essa ‘coisa’ da indústria da música. Um dia destes, ainda havemos de combinar um encontro num qualquer servidor do Xbox Live, quando a sua banda publicar um best off no serviço online da Microsoft. Até lá, comparar os problemas da capital inglesa com a realidade nacional é pura demagogia.
Por cá, temos peças raras como a psicóloga clínica Ângela Ribeiro, que oferece pérolas destas a’O Primeiro de Janeiro’: “antes dos jogos virem para o mercado de vendas, deveria haver uma consulta prévia aos profissionais, como os psicólogos”. Faz todo o sentido, Dra. Ângela. Dessa forma, os psicólogos limitavam toda e qualquer liberdade criativa dos estúdios, ganhando um estatuto de neo-censores, com direito a faixa ao peito e diploma na parede. Além disso, o cheque por disco era pintado a algarismos de todas as formas e tamanhos. Brilhante! Mas não resisto a acrescentar: sempre que Sylvester Stallone apresentar um novo Rambo, com dezenas de cadáveres a rodar no ecrã por minuto, enviem-me a fita. Mesmo sem argumentos académicos para o efeito, terei todo o gosto em aplicar a estampa classificativa mais justa. O melhor de dois mundos ficaria, portanto, protegido e censurado ao extremo. Que cenário tão confortável para o rebanho lusitano, não concorda?
No rescaldo de mais uma jornada de terror editorial no tratamento aos videojogos, posso concluir que, pelo menos, os autores e responsáveis pela contínua campanha de desacreditação da indústria, não gostam da área. Tudo bem. Mas, antes de tentarem descrever GTAIV como a maior ofensa à alma Humana neste século, seria melhor… passar por Liberty City. Jogar.![]()
Enfim, só espero não ler títulos como “Super Mario apela ao comunismo!” ou “L.A.I.R. fez aumentar taxa de suicídio” nos próximos tempos. Já não era nada mau…
Em baixo, pode descarregar as páginas do afamado jornal e respectivo artigo. Tire as suas próprias conclusões.
http://82.102.24.241/$sitepreview/oprimeirodejaneiro.pt/edicoes/1718.pdf




Interpreto-a como uma situação normal e inevitável, um ciclo repetitivo da história social. Não se trata de conservadorismo mais do que uma reacção natural e humana ao desconhecido. Esta velha geração, envelhecida e pouco fluente na linguagem digital, necessita de desaparecer para dar lugar à grande mudança de mentalidades: processo que ainda assim se irá prolongar durante muitos anos.
Todos os novos meios de comunicação revolucionários sofreram (e ainda sofrem de forma mais dispersa) com as injúrias dos seus opositores até se tornarem componentes indispensáveis da nossa sociedade, precisamente com a renovação das mentalidades. Os progressistas e defensores do meio vídeo lúdico de hoje serão os opositores futuros de algo novo e muito diferente.
O que não significa que nos tenhamos de contentar com estes exercícios de ignorância como o que aqui submeteste ao escrutínio. Obrigado pelo post!
Um abraço,
Bruno
Tal como o Bruno disse, já era de esperar. A sociedade tenta por a culpa num assunto que lhes é infamiliar e, digamos, “novo”.
O que dá pena é que isto não acontece só em Portugal, mas em diversas partes do mundo. Aposto que já ouviram falar do escândalo de Manhunt 2, não? =P
Enfim, ao menos não chegámos (ou pelo menos, AINDA não chegámos) ao nível de ter pessoas neste país que são rigorosamente contra os jogos por causa deste tipo de software. Falo, obviamente, de pessoas como o Jack Thompson, que deviam realmente pensar porque nasceram em 1º lugar.
Mais uma vez, obrigado pelo post excelente.
I’ll stay tuned. ;D
~waka
“leia-se futebol e corridas com fartura” – Esqueceste-te dos jogos WWE. Esses também vendem que se farta nesta terra.
E concordo, aliás, fiz um post sobre isso também. Mas deixei de me importar com essas coisas. Ainda me irrito com a ignorância, mas mais vale ignorar. Esse jornal é lixo.
Um abraço!
Ricardo Leal
criticando.blogs.sapo.pt
Bruno,
Concordo com a oposição natural de uma geração presa aos bons costumes do comodismo mais mundano, mesmo que digital. Mas, vivemos na verdadeira era da informação fácil. Qualquer atrofiado pelas novas ‘velhas’ tecnologias pode resolver o problema com um par de cliques. Aliás, noutras sociedades Europeias, os videojogos são encarados (com a maior naturalidade) como um ramo importante da cultura lúdica, na mesma árvore do cinema e música, por exemplo.
Contúdo, não me parece que o problema nacional passe pela ‘oposição’, como lhe chamas, ao meio. É mais uma ignorância voluntária e uma inércia cultural extrema. Por isso, temos um mercado completamente atípico, até afastado do resto da costa mediterrânica. Talvez seja por isso que os programadores e designers de (modestos) estúdios nacionais se contentem com adaptações jogáveis das ‘Chiquititas’ ou ‘Florib00bs’.
Canda um tem o que mereçe
Os estúdios nacionais não têm outra hipótese! Para terem dinheiro e até experiência para fazer jogos bons é necessários fazerem adaptações destas.
Não me parece que a questão seja em contentarem-se. Trata-se dum modelo de negócio que me parece o mais adequado para um país como nosso. Leia-se, ainda sem tradição na produção de videojogos.
Há duas maneiras de começar: como o ugo volt que passados 2 anos e tal (e só estou a contar quando arranjaram o investidor via business angels) faz uma empresa fechar. Ou por baixo, com a filosofia da GameInvest onde talvez o caso de maior sucesso esteja na RTS.
Jogos casual e rápidos. Parece-me ser este o caminho para que a experiência seja adquirida, reputação consolidada (que é de tal maneira dificil que só com uma holding nacional como a GI a fazer as relações externas pelos estúdios foi possível começar a editar jogos nas consolas) e claro, dinheiro venha o sucesso.
“Aliás, noutras sociedades Europeias, os videojogos são encarados (com a maior naturalidade) como um ramo importante da cultura lúdica, na mesma árvore do cinema e música, por exemplo.”
Estou totalmente em desacordo. Talvez penses assim pela forma pré-programa de se pensar em Portugal: se cá tá mal, é porque somos uns tristes e lá fora é bem melhor.
Quem são os países que produzem videojogos? Essas empresas se tivessem em países onde os videojogos são encarados como uma cultura igual à TV, haveria conteúdos para maiores de 18 anos. Não há, até porque os próprios fabricantes das consolas, que não são portugueses, nem deixam na primeira instância a sua publicação.
Em que países o Fallout 3 é banido? Que países obrigaram a versão europeia do No More Heroes viesse com sangue preto? Quem é que baniu o Gears of War 2?
Que se discuta os problemas, que os há, em Portugal. Mas não merece apena fazer comparações com um suposto el dourado que há é no estrangeiro que no fundo, não há.
Abul;
Recomendo uma segunda leitura do meu texto…
Sei que os ‘El Dourado’ não existem ás resmas por essa Europa fora, mas pintas a cena a tinta escura de mais.
“Quem são os países que produzem videojogos? Essas empresas se tivessem em países onde os videojogos são encarados como uma cultura igual à TV, haveria conteúdos para maiores de 18 anos.”
Remedy Entertainment – Finlândia (Max Payne, Alan Wake)
Starbreeze Studios – Suécia (Chronicles of Riddick: Escape from Butcher Bay, The Darkness)
CD Projekt – Polónia (The Witcher)
Precisas de exemplos de sangue digital vindo do Chipre?
Quanto à interpretação da violência nos videojogos, já esbati muita tecla à conta do assunto. Convido-te a vasculhar alguns artigos em arquivo aqui neste blogzito…
Quero colocar em perspectiva que estou a responder a isto:
“Aliás, noutras sociedades Europeias, os videojogos são encarados (com a maior naturalidade) como um ramo importante da cultura lúdica, na mesma árvore do cinema e música, por exemplo.”
E resumo a minha ideia como, há sociedades melhores e piores. Portugal não é das piores. A Alemanha é bem pior. De modo geral são todos maus, mesmo as melhores. E estão longe, os videojogos, de em qualquer uma delas ser considerado em relação às outras formas de entertenimento com essa facilidade evidente na tua frase
P.S, – Acrescentando mais qualquer coisita para a discussão:
Eles não existem às resmas porque simplesmente não existem. E Max Payne, Alan Wake? The Darkness? (são os que conheço) Isso não são jogos >18. Não estou à procura de sangue.
Quero uma narrativa como o Summer of Love num videojogo. Quero que jogos para maiores de 18 anos possam ser publicados nas consolas e tenham um circuito comercial (nos EUA não existe pura e simplesmente). Que publishers estejam dispostas a marktear esses jogos.
Eu não quero “interpretar a violência”. Eu quero é que os conteúdos de um videojogos sejam interpretados, e que haja possibilidade do jogo que os contenha, possa ser vendido a quem se adequam e não tenham de sofrer cortes para poder agradar a publishers, comissões de rating, produtores de hardware, devido à outra opção ser deixar pura e simplesmente de vender o jogo.
This film is not been rated é um filme que fala sobre a podridão do sistema comercial de filmes (no caso, dos EUA) mas parece-me uma base de partida para se pensar “videojogos”.
P.S.2 – Eu sei que já. Google Reader FTW
só ag me apeteceu comentar
Abul;
De um jogador para outro: joga The Darkness e The Witcher. Narrativa e paleta bem adulta, acredita.
Quanto à ideia que estás a tentar passar, está mais próxima da minha crítica inicial do que pensas. Repara que, quando digo que nalguns países da Europa os videojogos são encarados como uma ramificação do entretenimento, não significa que No More Heroes tenha direito a um debate e apresentação no prime-time televisivo. Mas em vários países da U.E., podes comprar qualquer videojogo com a mesma taxa de imposto… de um livro. Porquê? Porque os videojogos são encarados como um objecto cultural, como um DVD, CD ou Livro.
Penso que não vale a pena discutir-mos a posição do IGAC no nosso mercado, certo?
Tenho alguma responsabilidade ao dizer que em Portugal (desculpa a insistência) os videojogos são tratados à ‘paulada’, num sistema podre e menos aberto que na grande maioria dos restantes países Europeus. Trabalho todos os dias para tentar melhorar a situação, no pouco espaço e capacidade que tenho para o efeito.
PS: Obrigado pelos comentários interessantes!
Xiça, pelos vistos é difícil dizer “Se calhar exagerei um pouco em relação à maneira como disse que os jogos são encarados nos outros países europeus” X)
Os jogos estão em momento de transição, de maneira geral são tratados mal em qualquer lado, e não são tratados muito pior em Portugal que noutros países. Até na Finlândia encontrarás um jornaleco que tenha esse tipo de notícias. Ainda haverá hoje em dia quem diga que a sociedade está como está por causa do Rock & Roll =D
“joga The Darkness e The Witcher. Narrativa e paleta bem adulta, acredita.”
Levantas aqui um ponto interessante. Ainda no outro dia tive numa discussão sobre o que tornava algo “adulto”, porque o ser adulto vai além da violência e do sexo. Aliás, violência e sexo, só por si, é característico do que um adolescente consome.
Não há mal nenhum nisso, é assim que nós somos, e também não há problema em já em adultos, continuar a consumir este tipo de coisas (Naruto é para adolescentes, mas não deixo de gostar de ver e vibrar). É preciso é ter noção do que aquilo é realmente, e do que é que não é.
Não é o sexo, a violência, ou até plots muito densos que faz um jogo ser mais adulto (livros para adolescentes trazem isso tudo, e não é isso que os faz adultos). A maneira como estes temas são tratados poderão fazer a diferença. Faltam também muito a introdução de outros temas. O Abul deu um exemplo. Eu dou outro mais flagrante, relações entre pessoas, amorosas ou não. É muito raro ver as relações fazerem parte de um jogo, e quando o são, são tratadas ao nível das relações entre adolescentes (os adolescentes têm sexo, by the way =P).
Creio que é neste sentido que o Abul falava em não haver jogos para >18, no fundo é dizer que há ainda uma grande falta de maturidade na maneira como a indústria trata dos temas nos jogos.
Terebi-Kun,
Não quis, nem quero, dar tanta importância assim ao que se passa na… Finlândia. Pelo menos neste texto.
Mas, como referi num comentário anterior, a própria cultura de outros países europeus põe os videojogos noutro saco; que nós nem temos…
Concordo com alguma esquizofrenia da indústria, em relação a alguns temas. Mas, dizer que não existem videojogos para maiores de 18, mesmo no contexto referido, isso sim, é “exagerar um pouco”
Bem, pode-se dizer que o Abul e eu respondemos à hipérbole que vimos no texto com outra hipérbole. =) No entanto,
“a própria cultura de outros países europeus põe os videojogos noutro saco; que nós nem temos…”
Mas será assim de facto? O que me fez responder de novo é ficar com a impressão que esta frase tem mais a ver com o que os “gamers” acham que as pessoas pensam, do que com o que as pessoas pensam de facto. Vi nesta frase outra vez a mesma luta que houve (e ainda há) sobre a aceitação da banda desenhada no Ocidente, entre quem gosta de banda desenhada ocidental.
A história é a mesma: há um meio que começa a emergir, quem já o conhece aplaude, quem não o conhece desconfia e até o usa como bode expiatório. A certo momento, as mentalidades começam a mudar, o meio começa a ganhar aceitação, mas quem apoiou o meio desde início parece que se sente ressentido: por um lado, continua a achar que as pessoas, de uma maneira geral, olham de lado para o meio. Por outro, sente que o meio não evoluiu como elas próprias queriam.
Olhando para os jogos, neste momento estão numa fase muito boa, em termos de ganharem aceitação. Mas tal como na BD, NÃO é por causa de obras, com qualidade inegável e que fazem por elevar os jogos, como o Bioshock. É sim, graças a jogos que trouxeram pessoas novas para os jogos. Começou com os “party games” na PS2 (Buzz, Singstar, Guitar Hero), e tem explodido em grande parte por causa da Wii. E tal como na BD, estas iniciativas que estão a trazer um novo público, são vistas, de maneira geral, com muito maus olhos pelos fãs antigos mais acérrimos.
Portanto, os problemas descristos no comment creio que são, acima de tudo, devido a falta de contacto com o meio, que está precisamente neste momento a evoluir de uma boa forma em Portugal (graças ao esforço de muita gente, também). Não é, “aqui em Portugal a situação é pior que em outro sítio qualquer da Europa” (como é que se classifica uma coisa assim e se encontra o pior?), mas mais “encontro pessoas com Wii que nunca imaginei que viessem a comprar um consola”.
Peço já desculpa pelas harsh words, até porque acho que respondeste educadamente aos dois comments que fiz =|
Terebi-kun,
Antes de mais, não sou dono da verdade. Tudo o que lês neste cantinho são apenas opiniões de um tipo bem disposto. Portanto, até agradeço a pimenta na discussão
Começando pelo fim;
“(…)Não é, “aqui em Portugal a situação é pior que em outro sítio qualquer da Europa” (como é que se classifica uma coisa assim e se encontra o pior?), mas mais “encontro pessoas com Wii que nunca imaginei que viessem a comprar um consola”.”
Trabalho todos os dias com distribuidoras e editoras (Europa) e, portanto a minha crítica é construtiva. Mas, não digo nem escrevo que “em Portugal a situação é pior que em outro sítio qualquer da Europa”; prefiro sublinhar a ignorância triste, mas explicada, dos nossos consumidores. Mas, para o registo, estou longe de estar acomodado com a situação, como certamente entendes-te.
E fico muito satisfeito pela aceitação moderada que a Wii tem tido em Portugal, mais, trabalho directamente para melhorar a coisa e levar a ideia da Wii ao maior número possível de portugueses. Mas não te iludas; mesmo com o conceito único e ganhador no resto da Europa, a fatia de consumidores da Wii em Portugal é díspar, e espelha trechos do que escrevi anteriormente.
“(…)o que me fez responder de novo é ficar com a impressão que esta frase tem mais a ver com o que os “gamers” acham que as pessoas pensam, do que com o que as pessoas pensam de facto.”
Achei a comparação que fizeste com o fenómeno da BD muito interessante, mas utilizar expressões como “gamers” ou “hardcore” nesta discussão é, no mínimo, despropositado. É tudo uma questão de interpretação, ou seja, quem joga habitualmente lê o sangue digital de uma forma bastante diferente da dona casa típica. Mais uma vez, e para justificar a afirmação, tenho de insistir: tem tudo a ver com cultura e aceitação do novo e diferente. Nada mais que isto.
Não quero estragar o vosso namoro
mas,
“Mas, dizer que não existem videojogos para maiores de 18, mesmo no contexto referido, isso sim, é “exagerar um pouco” ”
Como sabes, a Sony, M$ e Nintendo não permitem jogos nas suas consolas com conteúdos que se classifiquem Adults Only. É isso que quero dizer com jogos para maiores de 18 anos e não necessáriamente que não existem jogos com o apelo “adulto” (ou o que se lhe queira chamar) que tal como referes bem, claro que os há.
Já agora, um bitaite solto: Eu costumo pensar… caramba, no cinema existem tantas comédias românticas e romance. Não sei como se poderá fazer isso nos videojogos, mas é estranho que quando algo se aproxima do romance, como o Mass Effect, aconteça tanto choro como foi o caso.
PS — Já sabes se vais ser integrado na nova Nintendo Ibérica? (tinha de perguntar
)
Abul,
Claro, mas essas são politicas de licenciamento interno. Até dava uma boa discussão, mas não tem muito a ver com o caso…
Mas, se te deres ao trabalho de elaborar uma lista criteriosa de jogos com rating PEGI +18, vais encontrar muitos e bons exemplos (como este bem recente, da EA http://media.cnetnetworks.fr/gamekult-com/images/photos/00/00/98/95/ME0000989588_2.jpg).
Fiquei desiludido com o romance no Mass Effect, sabes? É que aturar horas e horas de engate desinibido para ver 2 segundos de celulite azulada… erm…
Mas é um dos meus títulos favoritos, desta ‘geraçãozita’!
Quanto à pergunta, aceita a gentileza; no inicio de 2009 respondo. Vai passando por este cantinho, que ficas a saber tudo…
“no cinema existem tantas comédias românticas e romance. Não sei como se poderá fazer isso nos videojogos”
Tens muitos Dating Sims no Japão X) Sim, são mais livros que jogos, mas como jogo, já houve alguns me surpreenderam.
Sorry o double post, só reparei nisto depois:
“Mas, se te deres ao trabalho de elaborar uma lista criteriosa de jogos com rating PEGI +18, vais encontrar muitos e bons exemplos (como este bem recente, da EA [imagem do Dead Space]”
Não vi nem elaborei essa lista, mas faço aqui uma aposta: mais de 80% dos jogos dessa lista são +18 acima de tudo por serem muito violentos. Alguém alinha? =D
Apesar de tudo, a violência ainda é o conteúdo considerado adulto que tem mais aceitação social na America. Ficaria admirado se os jogos +18 nao aproveitassem isso.