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Avatar, novo filme de James Cameron, é uma fita profética para o império californiano, vítima de apatia e anacronismo forçado. Além da criatividade gritante, mitologia desenvolvida e interpretação política, Avatar enfeitiçou a vista de milhões com uma apresentação visual deslumbrante. Aquando a peregrinação em manada a uma sala de cinema, enfeitada a teias de aranha e bolor de hábitos, trajei a cinéfilo de ocasião, equipado com a maravilha messiânica do meio. Guardados os óculos escuros, rezada a prece de 162 minutos, ficam a memória visual de beleza indiscutível e marcas de ironia adjacente à indústria em causa. Tecnologia e arte caminham na mesma estrada, trilham um conto de sucesso enquanto desafiam estigmas e moldam a cultura dum mundo podre, carente de hoje mais ainda preso a ontem. O apego ao conceito 3D será, portanto, a postura lógica na edição de fotogramas. Mas quando cai o pano, além da fita de sonhos de Hollywood, fica o ninho de ouro da nossa era. A indústria que abençoa o escriba de serviço promove a imagem tridimensional a cada ocasião, louva o mérito do entretenimento por camadas sem reflexão ou respeito pelo consumidor de esquina.










