A Crónica de Rapture.

Publicado por DannyCosta em 29 Jan 2010

Além da cortina de sangue e medo que cobria o mundo, havia esperança. Uma luz. O sonho impossível, refém da condição Humana mas superior ao resto. Quando o medíocre venceu, ficou a visão utópica dum grupo iluminado, um nicho de almas que carregava o peso da cultura, arte e ciência. Pela mão e voz de [...]

Suda 51 – Perfil.

Publicado por DannyCosta em 10 Dec 2009

Este tempo de conteúdo homogéneo, onde o banal cicatriza a criatividade escondida, urge tributo aos melhores intérpretes, a quem eleva a arte digital a cada ocasião. Goichi Suda, filho pródigo de Nagano, Japão, é um desses guerreiros sem luz; pioneiros na arte de bem entreter, mas condenados ao labor por trás do pano. Contudo, a [...]

I, Neo.

Publicado por DannyCosta em 27 Nov 2009

A SNK Playmore de hoje alimenta nostalgia e ideias de outrora, mas continua longe do pico criativo da década passada. Contudo, o rumo da SNK nunca se sobrepôs à maior herança da companhia, a Neo Geo.
Após o colapso da indústria dos videojogos em 1983, o aumento da produção para as salas arcade renovou o interesse [...]

Entrevista a Tommy Tallarico, autor do Video Games Live.

Publicado por DannyCosta em 05 Nov 2009

A indústria dos videojogos vive dias de exaltação, embalados pela descoberta constante e criatividade florescente. A indústria musical não vive os melhores dias, por conservadorismo incurável e apego às ideias de ontem. Contudo, os dois meios escolheram uma política de não agressão, potenciando aventuras conjuntas e projectos rejuvenescedores. Além dos temas clássicos, tocantes e memoráveis, [...]

Deus ex Machinarium.

Publicado por DannyCosta em 29 Oct 2009

Quem se aventura na bela arte do desenvolvimento independente corre riscos. A pior maleita desse mundo de sonhos será a condenação à sombra, esconder ideias dos que vivem camuflados, longe da maior raiz criativa da indústria. Admita-se que grande parte dos génios de cave, alheios às tendências dos discos em retalho, caminha fora dos holofotes [...]

Entrevista a Jonathan Blow, autor de Braid.

Publicado por DannyCosta em 05 Oct 2009

Braid é uma estória de vida inarrável; um título belíssimo, original e revolucionário. Caro leitor, conhece a minha opinião sobre as maravilhas do título. Mas por mais que tente adjectivar a alma e mérito da obra, Braid é sujeito à interpretação pessoal do utilizador. Como qualquer obra de arte maior, sentimos a aventura de Tim [...]

Nouvelle Vague.

Publicado por DannyCosta Em 26 Feb 2010ADICIONAR UM COMENTÁRIO

O conceito de expressão artística supõe ideias, mensagens do intérprete em molde egoísta. Adjacente à visão de qualquer artista, quer-se um enredo sentido, a missão dum projecto que comunica a alma do autor. Na sombra do grande ecrã, desenvolveram-se técnicas para contar um texto num videojogo. O processo de ver e sentir cinema não encontrou tradução literal no mundo digital. Em 2010, uma falange de criativos decide percorrer um caminho de escolhas, adaptando a progressão à moral de cada entusiasta de sofá e preferindo uma nova aproximação ao modelo cinematográfico. Entre eles, destaca-se o trabalho do estúdio francês Quantic Dream, responsável por Heavy Rain. O disco propõe outra interpretação da tal emoção interactiva. Mais que um encosto no carril narrativo que guia qualquer fotograma, Heavy Rain tenta brotar algo novo, devolver os fatos de laboratório imaginando a história digital de amanhã.

Continuar a Ler »

Afro!

Publicado por DannyCosta Em 11 Feb 2010ADICIONAR UM COMENTÁRIO

Pela juba berrante que o protagonista de Afro Samurai ostenta, o leitor fiel a este cantinho já presume a folia na obra em montra. Afro Samurai nasceu nas páginas da revista de manga Nou Nou Hau (ノウノウハウ), em 1999, pela visão e desenho de Takashi Okazaki. O artista nipónico havia carregado pelos anos a ideia dum Japão feudal revitalizado pela tecnologia e cultura do Ocidente. Sim, Afro Samurai resulta do apego do autor a música hip-hop, tecnologia e filosofia ancestral do seu país. Credo!

Continuar a Ler »

3D e Eu.

Publicado por DannyCosta Em 02 Feb 2010ADICIONAR UM COMENTÁRIO

Avatar, novo filme de James Cameron, é uma fita profética para o império californiano, vítima de apatia e anacronismo forçado. Além da criatividade gritante, mitologia desenvolvida e interpretação política, Avatar enfeitiçou a vista de milhões com uma apresentação visual deslumbrante. Aquando a peregrinação em manada a uma sala de cinema, enfeitada a teias de aranha e bolor de hábitos, trajei a cinéfilo de ocasião, equipado com a maravilha messiânica do meio. Guardados os óculos escuros, rezada a prece de 162 minutos, ficam a memória visual de beleza indiscutível e marcas de ironia adjacente à indústria em causa. Tecnologia e arte caminham na mesma estrada, trilham um conto de sucesso enquanto desafiam estigmas e moldam a cultura dum mundo podre, carente de hoje mais ainda preso a ontem. O apego ao conceito 3D será, portanto, a postura lógica na edição de fotogramas. Mas quando cai o pano, além da fita de sonhos de Hollywood, fica o ninho de ouro da nossa era. A indústria que abençoa o escriba de serviço promove a imagem tridimensional a cada ocasião, louva o mérito do entretenimento por camadas sem reflexão ou respeito pelo consumidor de esquina.

Continuar a Ler »

A Crónica de Rapture.

Publicado por DannyCosta Em 29 Jan 20101 COMENTÁRIO

Além da cortina de sangue e medo que cobria o mundo, havia esperança. Uma luz. O sonho impossível, refém da condição Humana mas superior ao resto. Quando o medíocre venceu, ficou a visão utópica dum grupo iluminado, um nicho de almas que carregava o peso da cultura, arte e ciência. Pela mão e voz de Andrew Ryan, guiou-se a elite a algo novo, nasceu uma sociedade fundada no brilho e grandeza. Limpo o sangue que pintou o mundo num conflito de todos, a ideia, o tal sonho ganhava alma. Rapture. O destino dos grandes. O derradeiro passo civilizacional. Mais que uma cidade, Ryan imaginou uma sociedade livre de correntes, um templo oculto sem oração ou hipocrisia. Perdida no fundo do Atlântico, Rapture respirava sob quem forçou a sua existência, aconchegada pela calma do mar numa era de revolta. No inicio de vida da cidade, a vontade de um era o ganho de todos. Andrew Ryan renegava a generosidade do frio e a bondade do novo mundo, preferia a bênção do capitalismo como suporte político e ideológico. Ainda no berço, a cidade de génios chorava por mais, por justificação e sentido.

Continuar a Ler »

Saltar.

Publicado por DannyCosta Em 05 Jan 20104 COMENTÁRIOS

Começa 2010, revejo os feitos do ano que passa, fico perdido em nostalgia. Todos os Invernos a mesma sina. Relembrando o catálogo digital de 2009, encho um saco de ouro por polir, obras que me fugiram da vista por ignorância ou miopia do gosto. Essa nostalgia estende-se às glórias de outrora, quando se aquecia o coração com a arte do salto. Idealismo irredutível e criatividade de mãos dadas, cartuchos visionários enlatados na prateleira do esquecimento. Faz-me falta esse tempo. Onde moram esses génios do simples?

Continuar a Ler »

O Ano do Porco.

Publicado por DannyCosta Em 21 Dec 20091 COMENTÁRIO

ano_do_porco_header

O último mês do ano é, por norma, uma época de reflexão e harmonia. Em Dezembro quer-se paz de alma, mais tempo com a família e felicidade embutida no melhor espírito capitalista. Ora, para revestir os cofres da indústria a ouro verde, o adepto fiel à arte digital tende a emagrecer a carteira a cada oferta apelativa. O Natal propõe o investimento em obras consensuais entre críticos e consumidores, qual cruz que une meio mundo, enquanto afoga qualquer proposta mais rebelde, fora do molde megalómano da quadra. Modern Warfare 2 continua a guerrilha urbana da Infinity Ward, Assassin’s Creed II oferece um guia interactivo da Itália renascentista e New Super Mario Bros. Wii garante nostalgia e sorrisos. Fecha-se um ano relevante, tributa-se a melhor arte em montra.

Continuar a Ler »

Suda 51 – Perfil.

Publicado por DannyCosta Em 10 Dec 20092 COMENTÁRIOS

suda51_perfil2

Este tempo de conteúdo homogéneo, onde o banal cicatriza a criatividade escondida, urge tributo aos melhores intérpretes, a quem eleva a arte digital a cada ocasião. Goichi Suda, filho pródigo de Nagano, Japão, é um desses guerreiros sem luz; pioneiros na arte de bem entreter, mas condenados ao labor por trás do pano. Contudo, a ascensão criativa do tributado não resultou dum plano de vida perfeito. Antes de ser Suda 51, Goichi foi coveiro.
Enquanto confiava almas à terra, Suda foi tratando da sua; a paixão desmedida pelo mundo da luta livre profissional terá despertado o impulso criativo, a vontade de fazer algo mais, de migrar da mais triste emoção Humana para a vida das ideias. Quando Goichi assina um contrato com o estúdio Human, morre o cangalheiro, nasce o designer.

Continuar a Ler »

Emoção Interactiva.

Publicado por DannyCosta Em 01 Dec 2009ADICIONAR UM COMENTÁRIO

emocao_interactiva_ffx

Por entre as indústrias do entretenimento mais convencional, condenadas a decadência forçada por culpa de métodos primitivos e saturação de décadas, salvam-se as mentes que ainda correm por paixão, que jorram emoção em cada oferta. Se a música, por exemplo, é geralmente considerada uma linguagem universal, que salta barreiras culturais atingindo corações e almas em todas as nações, a experiência, o pacote de emoções sugerido pelos videojogos ainda busca acreditação definitiva. Pergunto-me: estará esta indústria limitada à identidade, cultura ou ideologia dos artistas?

Continuar a Ler »