Amigo leitor, nesta altura terá um par de perguntas em punho, apontadas ao escriba de serviço deste cantinho poeirento. À pergunta: “Não vejo artigos novos, porquê?”, respondo: Houvesse tempo. Não há. Sem aspas. Até o último romântico dos sonhadores digitais, espécie entretanto extinta e esquecida, presumo, tem de suar das nove às cinco para ganhar o luxo do tempo. Além disso, não faltarão atracções prosaicas, mais ou menos relevantes, que lhe ganhem atenção pela costa lusa. Mesmo como novo emigrante da nação dos ovos podres, tenho estado atento aos anúncios mais quentinhos da indústria que me (nos?) vai sustentando. BioShock Infinite. Basicamente isso, sim.
No Country for Old Us
E3 2010 no Now Loading
Chegou o sol californiano. Começa amanhã a maior exposição de videojogos, feira, desfile de novas ideias ou formatação imposta da indústria para aquecer o Natal do povo. Escolha uma hipótese, acertará. Ora, como a tradição ainda importa, vou relatar e comentar tudo o que acontecerá durante as palestras da Microsoft, Nintendo e Sony, já a partir de dia 14 de Junho. Ao comentário em tempo real acrescentarei textos de opinião, crítica aos anúncios, momentos, projectos e personalidades que engrandeçam Los Angeles nos próximos dias. Atente ao calendário previsto para as três apresentações mais significantes da feira norte-americana:
14 de Junho – Microsoft – 18h30 (completo)
15 de Junho – Nintendo – 17h00 (completo)
15 de Junho – Sony – 19h30 (completo)
Como sempre, poderá seguir o relato das palestras através do Twitter. Caro leitor, só posso esperar que a E3 deste ano confirme aquele projecto ou série que quer de volta, ou novos jogos que os melhores imaginem no maior forno de ideias do nosso tempo.
Vamos a isso.

Lembra-se da última revolução conceptual no género de puzzles? Provavelmente não. Num mar de ofertas corriqueiras, o género jaz na experiência de quem nasceu para a arte digital com glórias de há duas décadas. Navegantes do contra, os soldados da JAPAN Studio sonham ideias novas que vão encantando meio mundo, enquanto se escondem da outra metade. Echochrome e Echoshift são exemplos notáveis dum mercado dependente do vermelho e cinza. Ora, nas instalações da Sony Computer Entertainment em Tóquio, conversei com Tatsuya Suzuki (Produtor, Echochrome, centro), Ken Suzuta (Produtor, JAPAN Studio, esq.) e Jun Fujiki (Autor, OLE Coordinate System, dir.) sobre Echochrome, Echoshift, criatividade, indústria, distribuição digital, e ainda aprendi a criar um nível com garrafas de água e um telemóvel!
Fazemos 2 Anos!
Fazemos 2 anos. Nós. O fiel leitor que foi aturando as palavras do escriba de serviço, todos os que passam habitualmente por este cantinho, oriundos dos sítios onde se fala português. 118 publicações e 271 comentários depois, mantenho a chama, continuo a escrever sem filtro, nem sempre para quem concorda com as ideias dum barbudo semi-ermita, mas para quem vai pensando diferente e estimando as minhas opiniões. Além dos afazeres alheios à caixinha de texto digital, reservarei sempre este espaço para o mesmo propósito, não mudarei a linha escrita, manterei o estilo e identidade em qualquer palavra publicada no Now Loading ou fora do blogue aniversariante.
Por tudo isto, Obrigado!
Um novo mundo onde milhões aplicam conhecimento e habilidade no espectro digital para moldar a realidade terrena, esculpir amanhã pela mente dos formandos que ganham carácter nos videojogos. Utopia? Sim. Complica-se o fardo de Jane McGonigal, designer e investigadora no meio, com algum cepticismo, polvilhado com alienação e ignorância, daqueles que preferem aparar um ramo a cuidar melhor da árvore. Ideias claras com base credível? Definitivamente. A palestra de McGonigal oferece alguma cor numa indústria monocromática: uma nova perspectiva viável, um exército subaproveitado que marcará o nosso século.

Conhece o Newgrounds? Não? Saiba que o portal potenciou obras geniais na plataforma Flash, iniciou a democratização do desenvolvimento e publicação de videojogos quando esse conceito se limitava à utopia de poucos. O fundador e grande impulsionador do projecto, Tom Fulp, ganhou reputação de visionário, um programador apaixonado por Flash que mudou o jogo em obras de culto como Alien Hominid, Castle Crashers e o estúdio que fundou com o colega e artista de serviço Dan Paladin, The Behemoth. Em entrevista, Fulp discute a febre amarela que inundou todas as plataformas domésticas há poucos anos, cloud gaming, e explica o triunfo da simplicidade aparente no trabalho em escrutínio.
Pac-Man: O Filme
A Mesa NES

Caro leitor, saiba que o projecto em montra resulta de paixão desmedida pela velhinha 8-bit da Nintendo, vontade de renovar o ambiente da sala de estar e muito, muito tempo livre de quem se aventurou na construção da peça. Para o registo, esta mesa, modelada a partir do comando da NES, ficava muito bem enquadrada no retiro do escriba de serviço. E no seu também, aposto.
Formigas do Demo 2017

Amigo leitor, imagine-se numa reunião com os criativos da Sandlot. Precisam-se ideias que suportem um projecto de baixo orçamento, que resumam o conceito dum shooter na terceira pessoa com personalidade e apelo. Sangue, arsenal bélico suficiente para evaporar um pequeno país? Não, esqueça. Um enredo interplanetário que encubra uma premissa pobre? Não funciona. Um jogo em que a Humanidade defronta hordas de formigas invasoras, de sangue verde, robôs colossais com tecnologia de ponta e outras ameaças extraterrestres? Claro! É isso, boa ideia!







